Governo Lula ameaça rever cargos federais de parlamentares que apoiarem anistia a golpistas


Planato alerta que deputados e senadores que votarem a favor do projeto podem perder indicações e emendas, em meio à crise política agravada pela condenação de Bolsonaro no STF - © Getty

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou um recado direto à sua base: deputados e senadores que apoiarem o projeto de lei que concede anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro — incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — correm o risco de perder cargos federais e acesso a emendas parlamentares.

Segundo interlocutores do Planalto, a estratégia é usar todos os instrumentos políticos para barrar a votação do projeto no plenário da Câmara, cuja decisão final depende do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Fontes próximas ao governo afirmam que a votação da anistia será um “divisor de águas” para definir quem realmente integra a base e quem pretende se alinhar ao bolsonarismo, inclusive com reflexos nas eleições de 2026.

  • Pressão crescente no Congresso

As negociações em torno do projeto avançaram na última semana, após a condenação de Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado. Partidos do centrão, como União Brasil e PP, além do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), intensificaram o apoio à proposta.

Embora inicialmente contrário, Hugo Motta admitiu discutir a votação após pressão de líderes partidários. Para o Planalto, a aprovação da anistia representaria uma crise institucional entre os Poderes e até ingerência internacional, já que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs recentemente sobretaxas de 50% sobre produtos brasileiros e tem apoiado Bolsonaro.

  • Estratégia do governo

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reforçou publicamente que quem permanecer no governo deve ter compromisso com Lula e com suas pautas prioritárias. Ela destacou que a fidelidade será cobrada tanto de parlamentares como de aliados que fizeram indicações a cargos em estatais, autarquias e postos regionais.

A SRI está elaborando um relatório com todos os indicados políticos que ocupam funções no Executivo, e ministros de partidos de centro foram convocados a agir junto a líderes para evitar que a anistia avance.

Além disso, o governo já determinou que, se necessário, ministros licenciados que são deputados ou senadores retornem aos seus mandatos para votar contra a proposta.

  • Contexto eleitoral e riscos

O alerta ocorre em um cenário de instabilidade da base aliada e de ameaças de desembarque de siglas como União Brasil e PP. O Planalto teme que a aprovação da anistia fortaleça o discurso de Bolsonaro e fragilize a governabilidade.

Internamente, o governo também busca acelerar projetos de impacto popular, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, considerada uma bandeira eleitoral.

Segundo aliados, Lula avalia que a eventual aprovação da anistia seria interpretada como uma vitória política de Donald Trump no Brasil, em meio a sua ofensiva internacional, e enfraqueceria o próprio Legislativo nacional diante da pressão externa.

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