
Parlamentares e entidades acusam o governador Marcos Rocha de priorizar projeto político e campanha familiar enquanto hospitais sofrem risco de paralisação
O governador Marcos Rocha (União Brasil), pré-candidato ao Senado em 2026, voltou a ser alvo de duras críticas na Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero). Parlamentares e entidades ligadas à saúde acusam o chefe do Executivo de negligenciar a gestão estadual, priorizando articulações políticas e campanhas de familiares, enquanto o sistema de saúde agoniza.
O alerta mais recente partiu do deputado estadual Delegado Camargo (Republicanos), que conduziu reunião com representantes da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e do Hospital Santa Marcelina, uma das principais referências hospitalares do estado. A direção da unidade denunciou atrasos de quase R$ 6 milhões em repasses, valor que ameaça a continuidade dos atendimentos e compromete a compra de insumos, o pagamento de profissionais e a manutenção de serviços básicos.
“Estamos tratando de vidas. A falta de repasses não é somente um problema contábil, mas um risco direto ao atendimento da população que depende do Santa Marcelina”, declarou o parlamentar.
Risco de colapso no atendimento
Segundo a instituição, a crise pode levar à paralisação de setores estratégicos do hospital, o que resultaria em sobrecarga em outras unidades, como o Hospital João Paulo II, considerado o pior hospital do Brasil e já enfrentando sérias dificuldades estruturais.
Servidores da saúde também denunciaram salários defasados e a ausência de valorização por parte do governo. Para a categoria, o Executivo mantém a área esquecida, ao mesmo tempo em que negocia secretarias e cargos estratégicos para fortalecer a base política do União Brasil.
Política acima da gestão
Enquanto hospitais sofrem com atrasos e falta de investimentos, Marcos Rocha intensifica suas articulações eleitorais. Além de seu projeto pessoal rumo ao Senado, sua esposa, Luana Rocha, trabalha para consolidar candidatura à Câmara Federal, e seu irmão, Sandro Rocha, diretor-geral do Detran, já se movimenta em busca de uma vaga na Assembleia Legislativa.
Parlamentares criticam o que chamam de “loteamento político da máquina pública”, em detrimento de investimentos urgentes em áreas sensíveis como a saúde.
Promessa não convence
Após a pressão na Assembleia, o Governo de Rondônia se comprometeu a quitar a dívida com o Santa Marcelina até 30 de setembro. No entanto, a promessa não reduziu a insatisfação de deputados e profissionais da saúde, que apontam um governo cada vez mais distante das necessidades reais da população.
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