
Deputado deve permanecer nos Estados Unidos por tempo indeterminado enquanto amplia articulação contra o Judiciário e discute rumos da sucessão presidencial dentro do bolsonarismo (foto © Getty)
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) deve intensificar sua agenda internacional nos próximos meses, ampliando articulações contra o governo brasileiro e o Judiciário. Segundo interlocutores próximos, o parlamentar não pretende retornar ao Brasil tão cedo, temendo desdobramentos do processo em que já há maioria formada na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) para torná-lo réu por coação.
O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, afirmou ver indícios de que o deputado buscou gerar instabilidade institucional para pressionar o STF a favorecer o ex-presidente Jair Bolsonaro no julgamento da trama golpista de 2022.
Enquanto aliados trabalham para manter aberta a possibilidade de aprovação de uma anistia ampla no Congresso — prioridade da oposição até fevereiro — Eduardo mantém viagens internacionais ao lado do empresário Paulo Figueiredo, buscando apoio de lideranças da direita global e sanções contra autoridades brasileiras.
Viagens e articulação política
Eduardo permanece nos Estados Unidos, mas segue realizando viagens para países alinhados à direita. A próxima parada será El Salvador, onde participará do Fórum Mundial da Segurança, acompanhado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e outros parlamentares bolsonaristas. Deputados como Maurício do Vôlei (PL-MG) e Nikolas Ferreira (PL-MG) já se encontram no país.
Interlocutores afirmam que a ausência de divulgação prévia dessas viagens ocorre por razões de segurança.
Disputa interna: Senado, Presidência e o papel de Flávio
Inicialmente cotado para disputar o Senado por São Paulo em 2026, Eduardo passou a acenar com a possibilidade de lançar-se candidato à Presidência, especialmente após o pai, Jair Bolsonaro, ser colocado em prisão domiciliar e impedido de dialogar diretamente com ele.
O movimento desagradou setores da direita que defendem o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) como nome prioritário. Eduardo, entretanto, vê em Tarcísio um risco de “enterrar politicamente” Bolsonaro, e passou a confrontar publicamente setores que defendem o governador.
Nos bastidores, porém, cresce a avaliação de que Flávio Bolsonaro pode se tornar o “plano B” da família e unir diferentes alas da direita. Em outubro, a pedido do pai, Flávio viajou aos Estados Unidos para alinhar posições com Eduardo. Segundo aliados, o deputado garantiu apoio total caso o irmão seja escolhido.
Impacto do julgamento da trama golpista
O processo que investiga a tentativa de golpe em 2022 deve ser concluído nas próximas semanas, podendo resultar na prisão em regime fechado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Avaliações internas da família afirmam que, caso isso ocorra, o nome de Tarcísio será enfraquecido, já que não teria conseguido reverter o cenário, apesar de sua interlocução com o STF.
A prioridade estratégica do bolsonarismo para 2026 permanece clara: eleger o maior número possível de senadores para tentar avançar sobre temas como o impeachment de ministros do STF.
A disputa pela liderança da direita
Em entrevista recente à Jovem Pan, Eduardo Bolsonaro voltou a dizer que, independentemente de quem seja o candidato, ele estará “no lado oposto de Lula” na eleição do próximo ano.
O deputado também reconheceu dificuldades internas no campo da direita:
“Direita tem dificuldade de reconhecer liderança. Se retirar Jair Bolsonaro da equação, não se encontra outro nome que una todos. Pode ser que passemos por um período em que a esquerda tire proveito disso”, afirmou.
No entanto, concluiu dizendo que seu objetivo é evitar que o eleitorado “leve gato por lebre” em 2026.
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