
Patrimônio dos fundos é segregado, mas risco de liquidação cresce enquanto novos administradores são definidos (foto © Getty Images)
A liquidação extrajudicial do Banco Master, determinada pelo Banco Central, acendeu um alerta no mercado financeiro e colocou 92 fundos de investimento sob atenção redobrada. Embora o patrimônio desses fundos seja segregado e não faça parte da massa falida da instituição, especialistas afirmam que eles podem ser liquidados caso não haja definição rápida de novos administradores.
Segundo levantamento do Comdinheiro (Nelogica), com base em dados de 31 de outubro, os fundos administrados pela Master Corretora somam R$ 14,4 bilhões em patrimônio líquido. A maioria das carteiras é formada por Fidcs (53 fundos), seguidos por 19 fundos multimercado.
De acordo com Mariane Kondo e Fabio Braga, do Demarest Advogados, é essencial reforçar que a liquidação do banco não afeta automaticamente os investimentos, mas a continuidade operacional depende da nomeação de administradores substitutos.
Atualmente, a administração está sob responsabilidade do liquidante do Master, Eduardo Félix Bianchini, ex-servidor do Banco Central e proprietário da EFB Regimes Especiais de Empresa. No entanto, ele só exerce funções temporárias até que as assembleias de cotistas definam o futuro de cada fundo.
Risco de liquidação cresce entre impasses e falta de administrador
De acordo com o Banco Central, a EFB está conduzindo o processo para convocar assembleias que elegerão novos administradores. Nesses encontros, também pode ser proposta a liquidação de cada fundo.
Especialistas alertam que a ausência de cotistas nas assembleias ou a falta de uma administradora disposta a assumir a gestão pode resultar no encerramento das operações. A CVM confirma que, se não houver prestador de serviço habilitado, o fundo deve ser liquidado.
O maior fundo administrado pelo Master, o Revolution — um fundo de renda fixa com R$ 4,9 bilhões — já iniciou o processo de substituição. A gestora Acura Capital afirmou que cumpre o rito legal para transição e reforçou que a liquidação do banco não implica, por si só, o fim do fundo.
Além disso, mudanças na administração podem impactar taxas e regras operacionais, o que exige atenção dos investidores durante a fase de transição.
Liquidez dos ativos pode dificultar pagamento aos cotistas
A predominância de Fidcs entre os fundos do Master representa outro desafio. Esses fundos são compostos por direitos creditórios, ativos que possuem baixa liquidez no mercado. Caso haja liquidação, os cotistas podem receber esses direitos diretamente, o que torna o processo mais complexo.
Segundo Mariane Kondo, a transferência desses créditos não é simples e tende a elevar o tempo e o custo envolvidos na distribuição dos valores.
Há ainda a possibilidade de que o liquidante prefira manter os fundos ativos até o fim das investigações envolvendo o Banco Master, preservando a estrutura das carteiras.
Insolvência é última alternativa, mas não está descartada
Se um fundo não tiver patrimônio suficiente para cumprir suas obrigações, cotistas ou credores podem solicitar sua insolvência. A própria CVM também pode intervir caso identifique risco sistêmico ou patrimônio líquido negativo.
Enquanto isso, o mercado aguarda a definição dos novos administradores e o posicionamento dos cotistas nas assembleias, que serão determinantes para o futuro das carteiras.
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