
Solução defendida no passado foi atacada por ambientalistas e pelo MPF, mas hoje o próprio Ministério Público cobra medidas urgentes diante do caos ambiental
Nada como o tempo para revelar contradições. Mais de 15 anos depois, uma antiga proposta do então governador Ivo Cassol, duramente criticada à época, volta ao centro do debate ambiental em Rondônia — agora sob outra roupagem, mas com o mesmo objetivo: conter a destruição causada pela proliferação descontrolada de búfalos na região da Fazenda Pau D’Óleo, no Vale do Guaporé.
Quando o problema ainda estava no início, Cassol sugeriu uma solução direta e prática: autorizar a caça esportiva controlada, atraindo caçadores de todo o país. A proposta previa o abate de parte dos animais, com a doação da carne para escolas e entidades filantrópicas, reduzindo o impacto ambiental e social do problema.
A reação foi imediata e violenta. O então governador foi tratado quase como criminoso por órgãos ambientalistas e pelo Ministério Público Federal (MPF). A ideia foi rotulada como absurda, desumana e inaceitável. A narrativa dominante era a de proteção irrestrita aos animais, ignorando os impactos ambientais severos que já começavam a surgir.
Passados cerca de 15 anos, o cenário se agravou — e muito. Os búfalos, sem predadores naturais, se multiplicaram de forma exponencial e passaram a causar destruição ambiental significativa, comprometendo áreas alagadas, cursos d’água e a fauna local. Agora, ironicamente, o mesmo MPF ameaça o Estado de Rondônia e o ICMBio com multas que podem chegar a R$ 20 milhões, caso não seja apresentada uma solução imediata para o problema.
A resposta atual envolve uma operação complexa e tardia, dividida em três frentes:
- O ICMBio, responsável pela logística e monitoramento;
- A Universidade Federal de Rondônia (Unir), encarregada da análise sanitária dos animais;
- Uma empresa especializada, que executa o chamado abate técnico.
Durante a operação, são coletadas amostras de água antes e depois das ações, além do uso de câmeras para monitorar a interação da fauna com as carcaças deixadas no local. Curiosamente, não há qualquer informação sobre a destinação da carne dos animais abatidos — um detalhe que contrasta diretamente com a proposta original apresentada no passado.
A exigência de uma solução chega com uma década e meia de atraso, quando o problema já se tornou muito mais grave, complexo e caro. Fica a pergunta inevitável: se a proposta de Cassol tivesse sido levada a sério lá atrás, o estrago ambiental e o custo público seriam os mesmos?
A história mostra que, muitas vezes, decisões ideológicas e discursos fáceis acabam custando caro. No caso dos búfalos do Guaporé, o tempo parece ter dado uma resposta clara — ainda que tardia.
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Rondônia