
Duas vítimas da tragédia da Vale ainda seguem desaparecidas; operação de perícia continua ativa em Minas Gerais
O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais confirmou, neste domingo (25), o encerramento das buscas pelas vítimas do rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, ocorrido em janeiro de 2019. A decisão foi anunciada no dia em que a tragédia completou sete anos.
A informação foi confirmada pelo porta-voz da corporação, tenente Henrique Barcellos, em entrevistas à TV Bandeirantes e à rádio Itatiaia. Segundo ele, as equipes concluíram a verificação de 100% do volume dos rejeitos da barragem no dia 23 de dezembro de 2025, encerrando a etapa de buscas no campo.
“Todo o volume da lama foi vistoriado antes do Natal. Agora, as equipes estão em fase de desmobilização”, explicou o oficial.
Apesar do fim das buscas, a Operação Brumadinho continua em andamento por outros órgãos do governo de Minas Gerais. A Polícia Civil segue realizando análises periciais dos materiais recolhidos. “A polícia civil também continua fazendo o trabalho de análise e perícia nos segmentos que encontramos”, destacou Barcellos.
Duas vítimas ainda desaparecidas
Ao todo, 270 pessoas morreram no desastre, considerado um dos maiores crimes ambientais da história do Brasil. Destas, duas vítimas que trabalhavam para a Vale seguem oficialmente desaparecidas:
Tiago Tadeu Mendes da Silva, 34 anos, mecânico industrial que trabalhava na Vale havia apenas 20 dias. Ele estava no refeitório da mina no momento do rompimento e deixou dois filhos pequenos.
Nathália de Oliveira Porto Araújo, que também estava no refeitório. O GPS de seu celular indicava uma região da Cachoeira das Ostras, mas as buscas no local não resultaram em localização.
Identificação das vítimas
Dos 270 mortos, apenas 88 tiveram o corpo encontrado de forma completa, com cabeça, tronco e membros. As demais 179 vítimas foram identificadas a partir de partes segmentadas encontradas na lama.
As pequenas partes humanas localizadas ao longo dos anos são armazenadas em caixas de zinco, mantidas em caminhões frigoríficos. Após a identificação, cada fragmento é colocado em caixas individuais com o nome da vítima.
Esse método foi desenvolvido especificamente para a tragédia de Brumadinho, após exigência das famílias, que pediram uma forma de preservar os restos mortais pelo maior tempo possível. Um legista contratado pela Vale criou a metodologia.
A maioria das identificações ocorreu a partir de fragmentos ósseos, já que tecidos moles, como pele e cabelo, perdem o DNA mais rapidamente. Segundo os bombeiros, os últimos tecidos desse tipo foram encontrados em setembro de 2022.
Mesmo com o encerramento das buscas, o caso de Brumadinho segue como símbolo da luta por justiça, memória e responsabilização, enquanto as famílias ainda aguardam respostas e o paradeiro final das duas vítimas desaparecidas.
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