MST avalia envio de militantes à Venezuela após ataque dos EUA e mobiliza atos no Brasil


Movimento afirma que pode atuar “in loco” em solidariedade ao país vizinho e organizações de esquerda articulam manifestações e estratégias políticas

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) não descarta a possibilidade de enviar militantes à Venezuela após o ataque realizado pelo Exército dos Estados Unidos no último sábado (03). A informação foi confirmada por integrantes da direção nacional do movimento durante reuniões virtuais com organizações da esquerda brasileira.

O tema foi debatido em um encontro online realizado no domingo (04), que reuniu mais de 50 organizações. Segundo participantes, ainda não houve um entendimento aprofundado sobre o cenário venezuelano, considerado em “processo de desenvolvimento”. Mesmo assim, ficou definida a realização de manifestações em diversas capitais brasileiras, muitas delas em frente a embaixadas e consulados norte-americanos.

Durante o encontro, a dirigente nacional do MST, Ceres Hadich, afirmou que o movimento pode ampliar sua atuação caso considere necessário. “A gente não descarta o envio de um reforço de militância, de atuação in loco na própria Venezuela, desde que sejam necessários”, declarou. Segundo ela, o MST mantém relações de solidariedade com o país vizinho e já contribui com ações voltadas à produção de alimentos para a população venezuelana.

Ceres destacou ainda que, neste primeiro momento, o foco principal é denunciar o que o movimento classifica como “sequestro, invasão e mortes causadas pelo governo dos Estados Unidos”. As manifestações em solidariedade à Venezuela também devem integrar a pauta dos atos programados para o dia 8 de janeiro.

A dirigente elogiou a postura da diplomacia brasileira e de países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que reconheceram a vice-presidente Delcy Rodríguez como liderança legítima da Venezuela após a captura do presidente Nicolás Maduro, que foi levado aos Estados Unidos e submetido a julgamento sob acusações relacionadas ao narcotráfico — todas negadas por ele e por sua esposa, Cilia Flores.

Nova reunião amplia divergências na esquerda

Outra reunião virtual ocorreu nesta segunda-feira (05), reunindo representantes de partidos políticos e intelectuais da esquerda brasileira. Participaram nomes como José Dirceu e Mônica Valente (PT), Valério Arcary e Juliano Medeiros (PSOL), Ana Prestes (PCdoB), além dos jornalistas Breno Altman e Carlos Ron, ex-embaixador venezuelano.

Apesar do debate, não houve consenso sobre a estratégia política a ser adotada. Setores do PSOL se posicionaram contra a defesa direta de Maduro, classificado por eles como ditador, embora ressaltem que nenhum país estrangeiro deve interferir na soberania de outra nação. Já o PT e movimentos como o MST mantêm apoio explícito ao governo venezuelano.

Outros participantes defenderam que o foco das críticas deveria recair sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enquanto parte do grupo considera mais eficaz concentrar ataques à direita brasileira, que endossa a ação norte-americana contra a Venezuela.


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