Relatos de gripe e diarreia aumentam em cidades de Rondônia, mas não há confirmação de surto


Secretaria de Saúde não emitiu boletim que comprove circulação de rotavírus ou novo vírus respiratório no estado

Moradores de Rondônia têm relatado, principalmente nas redes sociais, o aumento de casos de gripe intensa e diarreia em cidades como Porto Velho, Ji-Paraná e Ariquemes. Os relatos envolvem crianças, idosos e adultos com sintomas como febre, vômitos, dor no corpo e mal-estar, o que tem gerado preocupação e especulações sobre a possível circulação de rotavírus ou de um novo vírus respiratório.

Apesar do volume de publicações e comentários, não há, até o momento, confirmação oficial de surto. A Secretaria de Estado da Saúde de Rondônia (Sesau) não divulgou boletim epidemiológico indicando aumento fora do padrão para rotavírus ou para qualquer novo agente viral. Também não foi emitida nota técnica pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) confirmando circulação atípica de vírus no estado.

Sintomas comuns ao período do ano

De acordo com profissionais de saúde, o cenário observado é compatível com a sobreposição de quadros comuns neste período do ano. As síndromes gripais tendem a se intensificar durante o inverno amazônico, quando há maior umidade, aglomerações e facilidade de transmissão de vírus respiratórios. Paralelamente, casos de gastroenterite, com diarreia e vômitos, também são frequentes, especialmente entre crianças.

O rotavírus, frequentemente citado nas redes sociais, é um vírus conhecido e que circula no Brasil há décadas, atingindo principalmente crianças menores de cinco anos. A vacina contra a doença integra o calendário nacional de imunização, embora a cobertura vacinal tenha apresentado queda nos últimos anos. Para a caracterização de um surto, no entanto, são necessárias notificações oficiais e confirmação laboratorial, o que não ocorreu até agora em Rondônia.

Desinformação amplia sensação de alerta

Outro fator que contribui para a preocupação da população é a circulação de conteúdos antigos ou de outros estados. Vídeos e publicações sobre surtos registrados no Pará e no Amazonas voltaram a circular recentemente, sem indicação de data, sendo associados indevidamente à situação atual em Rondônia.

Nas unidades de saúde, profissionais relatam aumento moderado de atendimentos por sintomas respiratórios leves e quadros de diarreia, dentro do esperado para o período. Segundo os relatos, a maioria dos pacientes apresenta boa evolução com hidratação, repouso e tratamento simples, sem registro de aumento significativo de internações.

Orientações à população

Especialistas alertam que o principal risco no momento é a desinformação. O medo excessivo pode gerar pânico, enquanto a subestimação dos sintomas pode atrasar a busca por atendimento, especialmente em crianças e idosos, mais suscetíveis à desidratação.

Enquanto não há confirmação oficial de surto, a recomendação é manter cuidados básicos, como lavar as mãos com frequência, consumir água tratada, higienizar bem os alimentos e manter a vacinação em dia. Em casos de febre persistente, diarreia por mais de dois dias ou sinais de desidratação, a orientação é procurar uma unidade de saúde.


Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem

Publicidade

Grupo