
Foro Penal confirma dezenas de solturas desde quinta-feira; governo fala em mais de 100 liberados em meio a pressão internacional (foto © Lusa)
Organizações não governamentais e setores da oposição da Venezuela confirmaram que diversos presos políticos foram libertados desde quinta-feira (8), mas os números divergem dos dados divulgados pelo governo interino em Caracas.
O grupo venezuelano Foro Penal, que monitora detidos por motivos políticos, registrou dezenas de solturas até a noite de segunda-feira (12), conforme levantamento mais recente divulgado pelas redes sociais da entidade.
Segundo a ONG, mais de 50 pessoas foram libertadas até o início da noite de segunda, enquanto a principal coalizão de oposição, a Plataforma Democrática Unitária, contabilizou 73 libertações, cobrando maior rapidez das autoridades no processo para que “o sofrimento dos presos políticos e de suas famílias finalmente chegue ao fim”. A Plataforma também divulgou uma lista com nomes de pessoas que já receberam liberdade.
Por outro lado, o governo venezuelano afirmou em comunicado oficial que 116 pessoas foram soltas nas últimas horas, resultado de uma revisão ampla dos processos no âmbito de uma política de “justiça, diálogo e preservação da paz”. A administração interina de Delcy Rodríguez não divulgou uma lista com todos os nomes, o que tem dificultado a verificação independente.
Desde o anúncio feito pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, na quinta-feira, familiares de presos políticos se reuniram em vigílias em frente a penitenciárias como El Rodeo I, nos arredores de Caracas, aguardando notícias sobre a libertação de entes queridos.
Além disso, familiares de colombianos detidos realizaram uma vigília com velas na Ponte Internacional Simón Bolívar, pedindo a libertação de 19 compatriotas que, segundo manifestantes, estariam injustamente presos há anos.
Apesar das libertações, grupos de direitos humanos alertam que centenas de pessoas continuam encarceradas por motivos políticos no país e que muitos dos libertados permanecem sob restrições cautelares rigorosas, como limitações à mobilidade ou proibições de falar publicamente sobre os casos. A oposição considera o ritmo lento e o processo de libertação como uma “tática deliberada de protelação”, enquanto parentes seguem mobilizados por mais solturas.
O anúncio das libertações ocorre em meio a intenso contexto político na Venezuela, incluindo pressões externas e negociações internas para respostas à crise e ao futuro do país.
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