
Licitação para valuation do estádio é passo essencial para discutir troca de dívida por naming rights e definir retenção de premiações (foto © Getty)
A Caixa Econômica Federal concluiu, nos últimos dias, o processo de licitação que definiu a empresa responsável pelo valuation da Neo Química Arena, estádio do Corinthians. A avaliação financeira é considerada etapa indispensável para que o banco estatal possa projetar cenários e avançar nas negociações envolvendo a dívida do clube, estimada em cerca de R$ 675 milhões.
A proposta em discussão prevê a possibilidade de o Corinthians utilizar a exposição da marca da Caixa no nome da arena como forma de compensação da dívida existente com a instituição financeira. No entanto, sem a conclusão do valuation, o banco não consegue realizar as projeções técnicas necessárias para dar prosseguimento ao eventual acordo.
Internamente, a diretoria alvinegra interpreta a abertura da licitação como um sinal de interesse da Caixa na negociação. Ainda assim, o clube avalia que a formalização de qualquer entendimento dependerá de diversas etapas adicionais, inclusive de natureza política e administrativa, tanto no âmbito do banco quanto do próprio governo federal.
Gestão do fundo da arena
Paralelamente às discussões sobre a dívida, Corinthians e Caixa também tratam do modelo de administração do fundo responsável pela gestão da Neo Química Arena. Após a liquidação da Reag, qualquer mudança estrutural nesse formato exige autorização da instituição financeira.
A avaliação interna do clube é de que ajustes no modelo de gestão podem tornar a exploração comercial do estádio mais eficiente, ampliando receitas. No entanto, o financiamento firmado impõe regras rígidas de governança e de destinação dos recursos, o que torna indispensável o alinhamento com a Caixa para qualquer alteração.
Premiação da Supercopa em debate
Outro ponto que aguarda definição da Caixa é o destino da premiação da Supercopa do Brasil, conquistada pelo Corinthians no último domingo, após vitória sobre o Flamengo. O contrato de financiamento da arena prevê cláusulas que autorizam o banco a reter até 50% das premiações recebidas pelo clube.
Em dezembro, por exemplo, metade do valor referente ao título da Copa do Brasil foi retida pela instituição financeira. Agora, o Corinthians espera utilizar o valor integral da Supercopa para reforçar o fluxo de caixa da temporada, mas depende de posicionamento oficial da Caixa.
O banco tem o direito de realizar a retenção diretamente na fonte, o que impede, neste momento, qualquer previsão concreta sobre o recebimento parcial ou total do montante. O título da Supercopa rendeu aproximadamente R$ 11,5 milhões, sem considerar os descontos tributários.
Prioridades financeiras
A principal prioridade da diretoria corintiana para esse recurso é o pagamento da dívida com o Talleres, da Argentina, referente à contratação do meia Rodrigo Garro. O Corinthians já foi condenado pela Fifa ao pagamento de R$ 28,7 milhões, mas recorreu à Corte Arbitral do Esporte (CAS).
Apesar do recurso, o clube trabalha com a possibilidade de chegar a um acordo extrajudicial com o Talleres antes de um eventual transfer ban, buscando minimizar impactos esportivos e financeiros.
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