
Decisão judicial afasta questionamentos sobre histórico criminal e autoriza gestão dos bens, mas proíbe venda sem autorização da Justiça
A Justiça de São Paulo nomeou Suzane von Richthofen como inventariante dos bens deixados por seu tio, o médico Miguel Abdalla Neto, de 76 anos, encontrado morto no dia 9 de janeiro, no bairro Campo Belo, zona sul da capital paulista. A herança é estimada em cerca de R$ 5 milhões e a decisão gerou novos desdobramentos judiciais e policiais.
A função de inventariante vinha sendo disputada por Suzane e pela empresária Carmem Silvia Gonzalez Magnani, prima do médico, que alega ter vivido em união estável com Abdalla Neto por 14 anos. No entanto, a decisão judicial entendeu que Carmen é parente colateral de quarto grau e, portanto, não possui prioridade sucessória, conforme estabelece o artigo 1.840 do Código Civil.
O outro herdeiro é Andreas von Richthofen, irmão de Suzane, mas ele não se habilitou no processo até o momento. Com isso, Suzane tornou-se a única herdeira habilitada, o que levou o Judiciário a nomeá-la para a função de inventariante.
Na decisão, o magistrado destacou que o histórico criminal de Suzane não tem relevância jurídica no processo de inventário. “Considerada a falta de manifestação de interesse por parte do outro herdeiro, é ela a única pessoa apta ao múnus”, registra trecho do despacho judicial.
Com a nomeação, Suzane está autorizada a administrar e manter os bens do espólio, mas não pode vender, transferir ou dispor do patrimônio sem autorização judicial prévia.
Apesar da decisão, o caso ganhou novos contornos após Carmem Silvia registrar um boletim de ocorrência acusando Suzane de posse indevida de bens do espólio. A denúncia foi feita duas semanas após a Polícia Civil iniciar a apuração de um suposto furto na residência do médico.
Segundo o boletim de ocorrência, Suzane teria admitido, no próprio processo de inventário, que retirou bens do imóvel sem autorização judicial, incluindo um veículo Subaru prata, ano 2021, além de eletrodomésticos, móveis e uma bolsa com documentos e dinheiro. Ainda de acordo com o registro, Suzane afirmou ter soldado o portão da residência para proteger os bens que acredita integrar a herança.
O caso é investigado pelo 27º Distrito Policial (Campo Belo), que deu continuidade à apuração iniciada no dia 20 de janeiro. A Polícia Civil aguarda a conclusão dos laudos do Instituto Médico Legal (IML) para esclarecer a causa da morte de Miguel Abdalla Neto.
Miguel era irmão de Marísia von Richthofen, mãe de Suzane e Andreas, e foi tutor de Andreas após o assassinato dos pais dos irmãos, ocorrido em 31 de outubro de 2002. Suzane foi condenada em 2006 a 39 anos de prisão pelo crime e atualmente cumpre pena em regime aberto, desde janeiro de 2023.
A reportagem tentou contato com Suzane von Richthofen para comentar as acusações, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.
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