
Mudança começa a valer nos salários pagos a partir de janeiro e beneficia milhões de trabalhadores em todo o país (foto © Shutterstock)
Os efeitos da nova tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026 já começam a ser sentidos no contracheque de trabalhadores que recebem até R$ 5 mil por mês, valor que passa a ser totalmente isento do tributo. A medida também prevê redução gradual do imposto para rendas de até R$ 7.350, ampliando o poder de compra e aliviando o orçamento de milhões de brasileiros.
As alterações passaram a valer para os salários pagos a partir de janeiro de 2026, com reflexo direto nos pagamentos realizados neste mês de fevereiro. Com a nova regra, deixam de pagar Imposto de Renda trabalhadores com carteira assinada, servidores públicos, aposentados e pensionistas do INSS ou de regimes próprios, desde que a renda mensal total não ultrapasse R$ 5 mil. A isenção também se aplica ao décimo terceiro salário.
Entre os beneficiados está o pedreiro Genival Gil, de 49 anos, morador do Paranoá, no Distrito Federal. Com salário de pouco mais de R$ 2,7 mil, ele aguarda o primeiro contracheque sem desconto do imposto. “Vai ajudar a pagar umas contas a mais da casa”, afirmou.
Quem recebe entre R$ 5.001 e R$ 7.350 passa a ter redução progressiva do valor retido na fonte. Já rendimentos acima desse teto continuam sujeitos à tabela progressiva atual, com alíquotas que podem chegar a 27,5%.
O jardineiro Arnaldo Manuel Nunes, de 55 anos, que recebe R$ 2.574 mensais, também comemora a mudança. “Mal dá para se manter. Esse dinheiro vai ajudar a pagar água e luz, que estão um absurdo”, relatou.
Apesar do impacto positivo, muitos trabalhadores ainda desconhecem a nova regra. A atendente de caixa Renata Corrêa, que ganha R$ 1.620, disse ter ficado surpresa ao saber que não terá mais desconto de IR. “Vou guardar esse dinheiro para emergências ou datas especiais”, disse.
Segundo o integrante do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Adriano Marrocos, a aplicação da isenção e dos descontos será automática para trabalhadores com vínculo formal. “Os cálculos são feitos diretamente nos sistemas de folha de pagamento. O empregado só precisa conferir o contracheque”, explicou.
Para ampliar o entendimento da população, especialistas defendem uma comunicação mais clara por parte dos empregadores. “É importante explicar que não se trata de aumento salarial, mas de redução de imposto”, destacou Marrocos.
Na sexta-feira (30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou, por meio das redes sociais, o início da isenção. “Quem ganha até R$ 5 mil agora tem Imposto de Renda zero. É mais dinheiro para cuidar da família e viver melhor. Isso é justiça tributária”, declarou.
Compensação fiscal
A renúncia fiscal estimada com a nova tabela é de R$ 25,4 bilhões. Para compensar a perda de arrecadação, o governo federal instituiu o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM), voltado à alta renda. A nova cobrança incide sobre salários elevados, lucros, dividendos e rendimentos financeiros.
A regra atinge contribuintes com renda mensal acima de R$ 50 mil ou renda anual superior a R$ 600 mil, com alíquota progressiva de até 10%. Para rendimentos acima de R$ 1,2 milhão por ano, a alíquota mínima efetiva também será de 10%.
De acordo com estimativas oficiais, cerca de 141 mil contribuintes serão impactados. Para especialistas, o efeito na arrecadação deve ser equilibrado. “A isenção já existia até dois salários mínimos. Agora, ela foi ampliada, enquanto rendas antes isentas passaram a ser tributadas”, explicou Marrocos.
Declaração do IR
O Ministério da Fazenda esclarece que as mudanças na tabela do IRPF só terão reflexo na declaração de 2027, que considera os rendimentos de 2026. A declaração anual a ser entregue em 2026 segue as regras atuais, sem alterações nas deduções, como dependentes, educação e desconto simplificado.
Quem possui mais de uma fonte de renda deverá observar com atenção a declaração anual, pois poderá haver necessidade de complementação do imposto, mesmo que cada rendimento individual seja inferior a R$ 5 mil.
A orientação dos especialistas é conferir atentamente o informe de rendimentos fornecido pelas empresas e revisar os dados da declaração pré-preenchida disponibilizada pela Receita Federal antes do envio.
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