
Nova diretriz sobre tolerância humana a impactos alerta para limites biológicos do corpo e critica decisões que ignoram riscos da velocidade
Um aumento de apenas 5% na velocidade permitida em uma via pode elevar em até 20% o número de mortes no trânsito, segundo dados da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet). As informações integram a nova diretriz “Tolerância Humana a Impactos: implicações para a segurança viária”, divulgada pela entidade.
O documento reúne estudos científicos que apontam os limites biomecânicos do corpo humano diante de colisões e reforça que decisões administrativas sobre trânsito precisam considerar esses limites para reduzir mortes e sequelas graves.
De acordo com a Abramet, a energia liberada em um sinistro aumenta de forma exponencial com a velocidade, superando rapidamente a capacidade do organismo de absorver o impacto — situação ainda mais crítica para usuários vulneráveis das vias, como pedestres, ciclistas e motociclistas.
“A diretriz parte de um princípio central: o corpo humano possui limites biomecânicos inegociáveis e eles devem ser o ponto de partida das políticas públicas de trânsito”, informou a entidade em nota.
Para o presidente da Abramet, Antonio Meira Júnior, o debate sobre segurança viária precisa ir além de questões de comportamento ou engenharia.
“A diretriz evidencia que não estamos lidando apenas com comportamento ou engenharia, mas com limites biológicos. Quando esses limites são ignorados, o resultado é o aumento de mortes e sequelas graves, mesmo em velocidades consideradas legais.”
Pequenas mudanças, grandes impactos
O documento destaca que reduções pequenas de velocidade podem diminuir significativamente o risco de morte, enquanto aumentos aparentemente modestos ampliam de forma desproporcional a gravidade dos acidentes.
A diretriz também chama atenção para a expansão da frota de SUVs e veículos com frente mais elevada, que apresentam maior risco de provocar lesões fatais em pedestres e ciclistas, mesmo em velocidades moderadas.
Segundo o estudo, cerca de 90% da energia transferida ao corpo da vítima em colisões com usuários fora do veículo está relacionada à velocidade.
Dados do DataSUS citados pela entidade mostram que pedestres, ciclistas e motociclistas respondem por mais de 75% das internações hospitalares relacionadas ao trânsito, cenário associado à combinação de alta velocidade, infraestrutura inadequada e pouca proteção física.
Renovação automática da CNH
A diretriz também aborda reflexos da recente medida que permite a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para parte dos condutores.
Regulamentada pela Medida Provisória nº 1.327/2025, a medida permite que motoristas com bom histórico de condução renovem o documento sem realizar exames médicos de aptidão física e mental.
Para a Abramet, o tema é sensível porque condições de saúde podem alterar a capacidade de reagir a impactos ou situações de risco no trânsito.
“O documento reforça que condições clínicas como envelhecimento, doenças neurológicas e cardiovasculares, distúrbios do sono e sequelas de traumatismos reduzem significativamente a tolerância humana a impactos”, informou a entidade.
Nesse sentido, a avaliação periódica feita por médicos do tráfego é considerada essencial, já que a aptidão para dirigir não é permanente e pode variar com idade, saúde e exposição ao risco.
Recomendações
Entre as recomendações apresentadas na diretriz estão:
- adoção de limites de velocidade compatíveis com a tolerância humana;
- políticas permanentes de gestão da velocidade nas vias;
- ampliação de campanhas educativas de segurança no trânsito;
- integração de dados epidemiológicos, biomecânicos e clínicos nas decisões públicas.
Segundo a Abramet, políticas de trânsito não podem se basear apenas em fluidez do tráfego ou conveniência administrativa.
Renovação automática já beneficiou milhares
De acordo com o governo federal, 323.459 condutores foram beneficiados na primeira semana de validade da renovação automática da CNH.
A medida contempla motoristas inscritos no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC), que não tenham cometido infrações de trânsito nos últimos 12 meses.
A estimativa é que o novo sistema tenha gerado economia de cerca de R$ 226 milhões em taxas, exames e custos administrativos.
Entre os beneficiados:
De acordo com o governo federal, 323.459 condutores foram beneficiados na primeira semana de validade da renovação automática da CNH.
A medida contempla motoristas inscritos no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC), que não tenham cometido infrações de trânsito nos últimos 12 meses.
A estimativa é que o novo sistema tenha gerado economia de cerca de R$ 226 milhões em taxas, exames e custos administrativos.
Entre os beneficiados:
- 52% possuem CNH categoria B (carros);
- 45% têm habilitação AB (carros e motocicletas);
- 3% possuem categoria A (motocicletas);
- os demais são condutores profissionais.
Quem não tem direito
Alguns grupos continuam obrigados a fazer a renovação presencial nos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans), como:
Já motoristas acima de 50 anos, que precisam renovar o documento a cada cinco anos, poderão usar o processo automático apenas uma vez.
Alguns grupos continuam obrigados a fazer a renovação presencial nos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans), como:
- motoristas com 70 anos ou mais, que renovam a cada três anos;
- condutores com validade reduzida por recomendação médica;
- quem está com a CNH vencida há mais de 30 dias.
Já motoristas acima de 50 anos, que precisam renovar o documento a cada cinco anos, poderão usar o processo automático apenas uma vez.
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