
Articulação do Sindsef/RO garante criação de grupo de trabalho para discutir direitos e impactos à saúde de trabalhadores expostos a agentes químicos
Por trás dos uniformes da antiga Superintendência de Campanhas de Saúde Pública (Sucam), estão histórias de servidores que dedicaram décadas ao combate de epidemias no Brasil, muitas vezes à custa da própria saúde. Após mais de dez anos de reivindicações, a categoria volta a ser ouvida pelo Governo Federal, em um movimento considerado histórico pelos representantes.
A mobilização foi liderada pelo Sindsef/RO, que conseguiu abrir diálogo com o Ministério da Saúde. A articulação contou com o apoio do ex-senador Acir Gurgacz, responsável por intermediar a audiência com o ministro Alexandre Padilha.
Avanço histórico em Brasília
Como resultado, foi criado, pela primeira vez, um Grupo de Trabalho (GT) no âmbito do Ministério da Saúde para tratar das demandas da categoria. Nos dias 31 de março e 1º de abril, representantes do sindicato estarão em Brasília para apresentar documentos, relatos e evidências que apontam os impactos da atividade na saúde dos trabalhadores.
Participam da agenda o presidente do Sindsef/RO, Almir José, e o ex-presidente da entidade, Abson Praxedes, atualmente representando a Condsef.
O foco principal será a situação dos chamados “malaiereiros” — servidores da antiga Sucam que atuaram diretamente no combate a endemias, frequentemente expostos a substâncias químicas como o DDT, sem o uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).
Impactos na saúde e busca por reconhecimento
De acordo com o sindicato, exames toxicológicos e laudos médicos serão apresentados durante as reuniões para comprovar os danos causados pela exposição prolongada a inseticidas. Muitos desses trabalhadores enfrentam כיום doenças crônicas, afastamentos e, em casos mais graves, morte precoce.
A discussão também contará com a contribuição técnica do médico perito Fernando Acosta, convidado pelo sindicato para apresentar dados sobre afastamentos e reforçar a necessidade de uma abordagem mais humanizada por parte do poder público.
Defesa por maior representatividade
O cenário reforça, segundo o Sindsef/RO, a necessidade de maior representatividade da categoria no Congresso Nacional. A entidade avalia que, apesar de apoios pontuais terem sido fundamentais para abrir diálogo, é essencial que os próprios servidores tenham voz ativa na defesa de seus direitos.
A expectativa é de que a criação do grupo de trabalho represente um passo concreto rumo ao reconhecimento histórico e à reparação dos danos sofridos pelos ex-servidores da Sucam, considerados verdadeiros protagonistas no enfrentamento às endemias no país.
A comitiva segue para Brasília com a missão de transformar anos de luta em resultados efetivos e garantir dignidade a quem dedicou a vida à saúde pública brasileira.
Tags
Rondônia