
Parlamentar cobrou rigor no tratamento de denúncias e criticou o que chamou de “comoção seletiva” diante de crimes contra mulheres
A tribuna da Câmara Municipal de Porto Velho foi marcada por um pronunciamento firme da vereadora Sofia Andrade (PL), durante a sessão desta segunda-feira (02). Em discurso contundente, a parlamentar afirmou que a capital rondoniense não pode ser conivente com agressores e cobrou posicionamento claro do Legislativo municipal no enfrentamento à violência contra mulheres.
“Porto Velho e a Câmara não aceitam agressores de mulher e não vai passar pano para esse tipo de coisa”, declarou.
Crítica à “comoção seletiva”
Durante sua fala, a vereadora apontou o que classificou como inversão de prioridades na sociedade brasileira. Segundo ela, determinados casos ganham ampla mobilização pública, enquanto crimes graves contra mulheres não recebem a mesma repercussão.
“O país parou por causa da morte de um cachorro. Manifestações foram feitas dentro de câmaras, dentro de assembleias, no Senado, nas ruas. Mas uma mulher foi brutalmente assassinada, e nada”, afirmou.
Sofia ressaltou que não se posiciona contra a proteção dos animais, mas questionou a diferença de tratamento entre os casos. Ela também criticou justificativas que, segundo ela, são frequentemente utilizadas para relativizar crimes de violência de gênero.
“Não é porque ela estava numa festa de madrugada. Não é porque estava com roupa curta. Uma freira foi assassinada dentro de um convento. Qual foi a desculpa dessa vez?”, questionou.
A parlamentar solicitou que a Comissão de Proteção à Mulher da Casa trate com seriedade todas as denúncias recebidas e defendeu que o Parlamento municipal atue como exemplo no combate à violência.
“Peço que as denúncias que chegarem à comissão sejam levadas a sério, para que possamos dar exemplo de que Porto Velho não aceita agressores”, reforçou.
Ao encerrar o discurso, Sofia Andrade afirmou que as mulheres brasileiras ainda enfrentam desvalorização e violência estrutural, defendendo mais respeito, políticas públicas eficazes e ações concretas para enfrentar o problema na capital rondoniense.
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