Operação da Polícia Civil mira grupo suspeito de invadir e vender áreas dentro de floresta estadual em Porto Velho


“Escudo de Cinzas V – Rio Madeira B” cumpre 15 medidas cautelares contra organização criminosa que atuava em unidade de conservação com 51 mil hectares

A Polícia Civil de Rondônia deflagrou nesta quarta-feira (22), por meio da 2ª Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO 2), a Operação “Escudo de Cinzas V – Rio Madeira B”, com o cumprimento de 15 medidas cautelares contra integrantes de uma organização criminosa suspeita de invadir, lotear e comercializar ilegalmente áreas dentro da Floresta Estadual de Rendimento Sustentável Rio Madeira B (FERS Rio Madeira B), em Porto Velho.

A unidade de conservação possui cerca de 51 mil hectares e está localizada em uma área de proteção ambiental estratégica para o estado de Rondônia.

Segundo as investigações, o grupo atuava de forma estruturada e coordenada, promovendo a ocupação irregular da floresta por meio da demarcação clandestina de lotes, supressão de vegetação nativa, abertura de trilhas, extração ilegal de madeira e construção de moradias dentro da área protegida.
Organização utilizava entidades para dar aparência de legalidade

De acordo com a Polícia Civil, os investigados mantinham uma estrutura hierarquizada e utilizavam uma associação rural, uma central de movimentos e uma cooperativa habitacional como forma de conferir aparência de legalidade às atividades criminosas e captar recursos financeiros.

A atuação do grupo envolvia divisão funcional entre os integrantes, com liderança identificada, núcleo operacional e responsáveis pela execução direta das invasões e comercialização irregular dos terrenos.

As investigações apontam que a prática criminosa causava impactos ambientais significativos, comprometendo a preservação da unidade de conservação e favorecendo a ocupação desordenada da área.

Investigações começaram em 2023

As diligências tiveram início em novembro de 2023, após uma abordagem realizada por agentes da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (SEDAM) e policiais ambientais no interior da floresta estadual.

Com o avanço das apurações e novas incursões realizadas em 2025, foi possível identificar a liderança da organização, além do funcionamento interno e a participação dos demais envolvidos.

As provas reunidas subsidiaram o pedido das medidas cautelares autorizadas pela Justiça.
Buscas, restrições e proibição de acesso às unidades de conservação

Entre as medidas deferidas estão mandados de busca domiciliar, proibição de contato entre investigados e testemunhas, além da restrição de acesso a unidades de conservação em todo o estado de Rondônia.

A operação contou com apoio da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE), da Gerência de Aviação do Estado (GAVE/SESDEC), do Batalhão de Policiamento Ambiental (BPA) e do Ministério Público de Rondônia, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e do Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente (GAEMA).

A Polícia Civil reforçou que a operação integra o trabalho permanente de enfrentamento ao crime ambiental organizado e reafirmou o compromisso institucional com a proteção do patrimônio ambiental e o combate qualificado às organizações criminosas que atuam no estado.

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