
Pré-candidata em Rondônia afirma que mineração precisa de representatividade em Brasília e apresenta propostas para cultura, mulheres e desenvolvimento regional
A advogada e pré-candidata a deputada federal, Dra. Tânia Sena, afirmou que pretende levar para Brasília a defesa do garimpo legalizado, além de pautas voltadas à saúde, cultura, esporte e assistência social. As declarações foram feitas durante entrevista ao programa “Café na Redação”, do site Agência Rondônia.
Com origem no garimpo, Tânia destacou que sua trajetória está diretamente ligada à atividade mineradora, o que motivou sua entrada na política.
“Sou filha de garimpeiro, cresci nesse meio e conheço de perto a realidade. O que me trouxe para a política foi o sofrimento e a falta de representatividade da categoria”, afirmou.
Garimpo como principal bandeira
Durante a entrevista, a pré-candidata reforçou que o garimpo é uma atividade prevista na Constituição e precisa ser tratada com responsabilidade e menos estigmatização.
Segundo ela, há uma narrativa negativa sobre a atividade que não corresponde à realidade atual. Tânia defende que o setor evoluiu tecnologicamente e hoje adota práticas mais seguras, inclusive no uso de substâncias como o mercúrio.
Ela também criticou a falta de apoio político à categoria:
“Na época da eleição, todo mundo defende o garimpo. Depois, as portas se fecham e ninguém assume a causa.”
Outro ponto levantado foi a necessidade de revogação de entraves legais, como o decreto estadual de 1991 que restringe a atividade em trechos do Rio Madeira. Segundo Tânia, a luta pela revogação ocorre desde 2015.
Críticas à exploração estrangeira e à falta de valorização local
A pré-candidata também chamou atenção para a exploração de recursos minerais por empresas estrangeiras, enquanto, segundo ela, trabalhadores locais enfrentam dificuldades para atuar.
“Estamos exportando matéria-prima e comprando de volta mais caro. Poderíamos gerar emprego e renda aqui”, destacou.
Propostas sociais e estruturais
Apesar de ter o garimpo como principal bandeira, Tânia Sena afirmou que seu plano de atuação inclui diversas áreas:
- Criação de centro cultural em Porto Velho
- Incentivo ao esporte e apoio a atletas
- Projetos para mães atípicas
- Programas de reinserção de mulheres vítimas de violência no mercado de trabalho
- Expansão de creches, incluindo atendimento noturno
- Atenção aos distritos e regiões mais afastadas da capital
Ela também criticou a falta de investimentos em cultura no estado, citando eventos tradicionais como o Flor do Maracujá e o Duelo da Fronteira, que, segundo ela, carecem de incentivo adequado.
Infraestrutura e abandono de regiões do estado
Tânia destacou problemas estruturais em municípios como Guajará-Mirim, apontando precariedade em estradas, saúde e falta de políticas públicas contínuas.
Ela também criticou decisões como a implantação de pedágios e a ausência de diálogo com a população em projetos importantes.
Saúde pública em colapso
Um dos pontos mais críticos da entrevista foi a situação da saúde em Rondônia. A pré-candidata classificou o cenário como “calamidade” e atribuiu responsabilidade à classe política.
“Tivemos anos sem conseguir avançar em obras estruturantes. Falta planejamento e união entre os poderes”, disse.
Ela defende uma atuação conjunta entre bancada federal, governo estadual e Assembleia Legislativa para resolver o problema de forma definitiva.
Combate à corrupção e responsabilidade do eleitor
Sobre corrupção, Tânia Sena afirmou que o problema também passa pela postura do eleitor.
“Se existe corrupção, é porque alguém aceita. A mudança começa na escolha consciente do voto”, destacou.
Ela também criticou práticas como “rachadinha” e defendeu maior fiscalização e renovação política.
Posicionamento político e discurso contra polarização
A pré-candidata declarou ter posicionamento de direita, mas afirmou que pretende trabalhar para toda a população, independentemente de ideologia.
“Não quero saber se a pessoa é de direita ou esquerda. Vou trabalhar para quem precisa”, afirmou.
Ela também criticou os extremos ideológicos, defendendo equilíbrio e foco em soluções práticas.
Trajetória e experiência
Advogada há 17 anos, Tânia Sena atuou em cooperativas de mineração e foi vice-presidente da agência reguladora municipal durante a gestão do prefeito Léo Moraes, deixando o cargo para disputar as eleições.
Na última eleição municipal, foi a terceira mulher mais votada em Porto Velho, com 1.671 votos.
Encerramento
Ao final da entrevista, Tânia reforçou que sua principal motivação é trabalhar pelas pessoas:
“Não vou resolver todos os problemas, mas vou fazer o possível para ajudar o maior número de pessoas.”
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