
Mesmo que não seja nem perto o entusiasmo de Copas passadas, ainda há, no brasileiro, um pouco de esperança em relação às nossas possibilidades neste ano. Começamos com um empate neste sábado, contra o Marrocos, temerosos, assustados, mesmo lutando muito, porque tanto o Brasil todo como os próprios jogadores, sabem que não somos mais nem perto do que fomos no passado.
Nosso futebol, antes viril e cheio de dribles, firulas, gols de placa, foi sendo feminilizado e adaptado aos novos tempos, onde programas esportivos dedicam três quartos dos seus horários para falar de racismo e um mínimo para tratar do futebol.
Dar uma meia lua ou um balãozinho é ofensa contra o adversário. Jogadores participavam da partida até com fraturas, enquanto agora, qualquer disputa mais dura leva os coitadinhos para lágrimas e pedidos de cartão vermelho. Os jogos eram pegados e, agora, tem até parada para descanso, para hidratação, tirando toda a intensidade da disputa.
Nossos campinhos de futebol sumiram. Ali, onde se destroncava o pé chutando tocos de árvores, se criavam grandes jogadores e futuros craques. Em cada rua, em cada bairro, o futebol era a grande diversão. Tudo mudou. Hoje, são escolinhas de futebol, com muitos filhinhos de papai e pouquíssimos e raros craques de verdade. O Brasil mudou. Por que o futebol não mudaria?
Começamos mais uma Copa do Mundo. E começamos do jeito que todos viram. Iremos até onde?
Sérgio Pires
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