
Integrantes da tradicional quadrilha de Porto Velho relatam ansiedade, sentimento de pertencimento e expectativa para estrear na nova competição junina da capital
Quando chega o período junino, a rotina muda completamente para quem vive a cultura popular dentro das quadrilhas. O despertador toca cedo, mas o sono já não tem tanta importância. Nos dias que antecedem a apresentação, ansiedade, expectativa e emoção ocupam cada espaço da preparação.
Para quem integra a Quadrilha Junina Matutos do Socialista, uma das mais tradicionais de Porto Velho, o sentimento se repete ano após ano, mas nunca perde a intensidade.
Há dez anos na agremiação, Fabrício Dias conhece bem essa sensação. Entre ensaios, preparação e convivência diária, ele afirma que encontrou dentro da quadrilha algo que vai além da dança.
“Eu estou na quadrilha há dez anos. Quando cheguei aqui, tinha vindo de outra quadrilha depois que me mudei da Zona Sul para a Zona Leste. Foi aqui que entendi o significado de uma família. Nem sempre tudo é um mar de flores, mas é nas dificuldades que a gente se encontra como amigos, como irmãos. É isso que a Matutos do Socialista representa para mim”, relata.
Fundada no bairro Socialista, na Zona Leste da capital, a Matutos construiu sua trajetória baseada na valorização das tradições juninas, no fortalecimento dos vínculos comunitários e na formação de gerações de brincantes que encontram no grupo um espaço de identidade, pertencimento e expressão cultural.
Ao longo dos anos, a quadrilha se consolidou como uma das principais representantes do movimento junino de Porto Velho, reunindo centenas de participantes entre dançarinos, personagens, equipe técnica e familiares.
Mas é quando chega o dia da apresentação que toda a preparação ganha um significado diferente.
“No dia mesmo é diferente. Tudo que tinha que acontecer já aconteceu. O que era para dar certo já deu certo. O que era para dar errado já passou. A gente acorda com aquela ansiedade. Na verdade, conseguir dormir já é uma vitória. É um sentimento que só quem está dentro consegue entender”, conta Fabrício.
Quem também carrega uma relação histórica com a quadrilha é Joana Morena, uma das figuras mais conhecidas da Matutos do Socialista. Rainha da agremiação, ela soma 18 anos de participação e diz que sua história se confunde com a trajetória do grupo.
“São 18 anos de Socialista. Eu estou aqui porque amo essa quadrilha. Cresci aqui dentro e posso dizer que isso faz parte da minha vida. É um lugar que eu escolhi para estar e onde sempre dei o meu melhor”, afirma.
Novo palco e expectativa de competição
Neste ano, a emoção ganhou um elemento adicional. Entre os dias 25 e 28 de junho, as quadrilhas juninas da capital terão um novo espaço para apresentar seus espetáculos durante o Arraiá do Bera 2026, promovido pela Prefeitura de Porto Velho no Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.
Além da programação cultural e das apresentações tradicionais, o evento contará com competição entre as quadrilhas adultas e distribuirá R$ 45 mil em premiações.
A campeã receberá R$ 20 mil, o segundo lugar R$ 15 mil e o terceiro colocado R$ 10 mil.
Para os integrantes da Matutos do Socialista, a novidade trouxe ainda mais intensidade aos ensaios.
“O Bera veio como uma surpresa muito boa. A gente faz tudo pela cultura e pelo amor ao São João, mas quando se fala em concurso a energia muda. Todo mundo quer fazer bonito, quer estar entre as melhores e sonha em conquistar o primeiro lugar”, destaca Fabrício.
Nos bastidores, os preparativos seguem acelerados. Figurinos, personagens e coreografias continuam sendo tratados com cuidado e parte do espetáculo permanece guardada até o momento da apresentação.
“Tem muita preparação acontecendo, mas ainda existem surpresas. O que posso dizer é que estamos trabalhando muito e com muita fé. Quando chega o dia da apresentação, a responsabilidade aumenta porque sabemos que estamos representando toda uma história construída ao longo dos anos”, comenta Joana.
Para ela, independentemente do palco, o sentimento permanece o mesmo.
“É uma emoção muito especial. Depois de tantos anos dentro da quadrilha, a gente entende a importância daquele momento. Você entra na arena sabendo que precisa dar o seu melhor. E agora, com essa nova competição, queremos viver tudo isso novamente e buscar mais uma conquista para a nossa história.”
Enquanto a apresentação não chega, a rotina continua dividida entre ensaios, ajustes e expectativa. Mas uma certeza já une todos os integrantes da Matutos do Socialista: quando os portões da arena se abrirem, cada ensaio, cada noite sem dormir e cada esforço terão valido a pena.
Tags
Porto Velho