
Serviço inédito oferece moradia assistida e acompanhamento multiprofissional a pessoas que passaram longos períodos em internações psiquiátricas
A Prefeitura de Porto Velho, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), implantou o Serviço de Residências Terapêuticas (SRT), iniciativa inédita no município voltada ao acolhimento de pessoas que permaneceram por longos períodos internadas em hospitais psiquiátricos e não possuem vínculos familiares ou condições de retorno imediato ao convívio social.
A medida representa um avanço na política municipal de saúde mental, com foco na desinstitucionalização e no cuidado em liberdade. As residências funcionam como moradias assistidas, oferecendo ambiente seguro, acompanhamento contínuo e ações voltadas à reconstrução da autonomia, cidadania e reinserção comunitária dos moradores.
Segundo a Prefeitura, a implantação foi coordenada tecnicamente pela Gerência de Saúde Mental, vinculada ao Departamento de Média e Alta Complexidade da Semusa. O processo envolveu estudos técnicos, levantamento da demanda existente, organização dos fluxos assistenciais, elaboração administrativa, credenciamento público e contratação de empresa especializada para a execução do serviço.
As unidades seguem as diretrizes do Ministério da Saúde para Residências Terapêuticas dos tipos I e II. O contrato firmado entre a Prefeitura de Porto Velho, por meio da Semusa, e a empresa credenciada prevê investimento anual estimado em R$ 816.424,80.
O prefeito Léo Moraes afirmou que a implantação das Residências Terapêuticas reforça a proposta de uma assistência mais humanizada e inclusiva.
“Estamos construindo uma rede de cuidado que respeita a dignidade das pessoas e oferece oportunidades reais de reintegração social. As Residências Terapêuticas representam um avanço importante para Porto Velho, pois garantem acolhimento, segurança e acompanhamento adequado para quem precisa reconstruir sua vida em liberdade e com autonomia”, declarou.
Cada morador terá acompanhamento por meio de Projeto Terapêutico Singular, acesso à Rede de Atenção Psicossocial, alimentação, medicação, transporte para consultas, atividades de lazer e apoio para as atividades do cotidiano.
A assistência será realizada por equipe multiprofissional formada por coordenadores, cuidadores, técnicos de enfermagem, enfermeiros, cozinheiros e auxiliares de serviços gerais, conforme as necessidades de cada residência.
A secretária municipal de Saúde, Sandra Cardoso, destacou que o novo serviço busca assegurar dignidade e qualidade de vida às pessoas que passaram anos afastadas do convívio social.
“As Residências Terapêuticas representam muito mais que um local de moradia. Elas devolvem dignidade, autonomia e qualidade de vida para pessoas que passaram anos afastadas do convívio social”, afirmou.
A diretora da Divisão de Saúde Mental da Semusa, Francisca Nery, ressaltou que o projeto foi estruturado para garantir acolhimento adequado e promover autonomia aos moradores.
As Residências Terapêuticas fazem parte da política nacional de saúde mental e são consideradas uma das principais estratégias para substituir o modelo de internações prolongadas, priorizando o convívio comunitário e o respeito aos direitos das pessoas com sofrimento mental.
A Prefeitura também esclareceu que o serviço é diferente da Unidade de Acolhimento Terapêutico Casa Bem Viver Saúde, destinada ao acolhimento transitório de adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade relacionada ao uso de substâncias psicoativas. Embora tenham finalidades distintas, os dois equipamentos integram a Rede de Atenção Psicossocial e atuam de forma complementar na política municipal de saúde mental.
Com a implantação das Residências Terapêuticas, Porto Velho amplia sua estrutura de atendimento especializado e fortalece as ações voltadas à saúde mental dentro da rede pública municipal.
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