
Agroindústria familiar no Assentamento Joana D’Arc começou na cozinha de casa e hoje já conta com equipamentos para produzir até 500 litros
O sonho de mudar de vida começou com uma decisão de Vital do Sacramento Gomes e acabou envolvendo toda a família. No Assentamento Joana D’Arc, na Linha 11, em Porto Velho, pais, irmãos e esposas uniram trabalho e conhecimento para transformar o leite produzido na própria propriedade em iogurte.
A iniciativa nasceu da necessidade de conciliar trabalho e família. Antes de investir na produção de derivados do leite, Vital trabalhava com gado de corte e chegava a passar até 20 dias viajando. Pai de dois filhos, atualmente com 3 e 5 anos, ele e a esposa, Bruna Rafaela, decidiram procurar uma alternativa que permitisse permanecer mais tempo em casa.
Foi assim que surgiu a ideia de produzir iogurte.
Produção começou na cozinha de casa
Sem experiência no ramo, Vital iniciou os primeiros testes de maneira simples, utilizando os equipamentos disponíveis em casa.
“Comecei fazendo na batedeira, dois litros. Colocava avental, touca, luva e ia para a cozinha. No começo era leite para todo lado”, relembra, entre risos.
O início foi marcado por tentativas, erros e adaptações. Durante meses, a família testou receitas, registrou os resultados e fez mudanças até chegar ao sabor considerado ideal.
Para transformar a experiência caseira em negócio, Vital e Bruna decidiram investir na estrutura. Bens foram vendidos para viabilizar o projeto e, com o tempo, a pequena produção ganhou equipamentos profissionais. Atualmente, a agroindústria possui capacidade para processar até 500 litros.
Trabalho envolve várias gerações
Batizada de Iorgute GUT Vital, a agroindústria familiar passou a reunir diferentes integrantes da família em etapas distintas da produção.
Vital é responsável pela coordenação da agroindústria, enquanto Bruna trabalha diretamente na fabricação dos produtos. O irmão, Alceniro Pereira, cuida das vacas e da produção do leite ao lado da esposa, Vaniele. A irmã Roseane e a mãe, Edinalva, também participam das atividades.
A história envolve ainda Sebastião, pai de Vital e Alceniro. Depois de dedicar grande parte da vida à criação de animais para sustentar a família, ele agora acompanha os filhos dando continuidade ao trabalho no campo.
“Meu pai trabalhou a vida toda com vaca e depois com gado de corte para sustentar a gente. Hoje nós estamos trabalhando para dar a aposentadoria para ele”, afirma Vital.
Agroindústria conquista regularização
A transformação da atividade familiar em empreendimento comercial exigiu aproximadamente um ano de trabalho para estruturar e regularizar a produção.
Recentemente, a agroindústria recebeu o registro do Serviço de Inspeção Municipal (SIM), permitindo a comercialização regular dos iogurtes. A produção começou a chegar ao mercado há cerca de um mês e a Agrotec se tornou um dos primeiros espaços de comercialização da família após a regularização.
A experiência também representa, na prática, uma das alternativas debatidas durante o II Fórum +Leite de Rondônia, realizado dentro da programação da Agrotec: agregar valor à produção rural e criar novas possibilidades de renda para os produtores.
Em vez de comercializar apenas o leite in natura, a família passou a transformar a matéria-prima em um produto final, ampliando o potencial econômico da produção.
Incentivo à produção rural
Para o secretário municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Douglas Bener, iniciativas como a da família de Vital demonstram como a agricultura familiar pode avançar quando o produtor consegue transformar sua própria matéria-prima.
“Quando o produtor consegue transformar aquilo que produz e chegar ao consumidor com um produto de maior valor agregado, surgem novas possibilidades de renda. A Agrotec também existe para dar visibilidade a essas histórias e aproximar quem produz de novos mercados”, destacou.
O prefeito Léo Moraes também ressaltou a importância de criar condições para que as famílias possam desenvolver seus próprios negócios a partir da produção rural.
“Por trás de cada produto existem pessoas, trabalho e sonhos. Quando uma família consegue transformar o que produz no campo em renda e oportunidade, fortalecemos também a economia de Porto Velho”, afirmou.
De uma batedeira utilizada para preparar apenas dois litros de iogurte para uma agroindústria com capacidade de 500 litros, a trajetória da família mostra como planejamento, união e agregação de valor podem transformar a produção rural em uma nova oportunidade de negócio.
Agora, os planos são ampliar a produção e levar o iogurte fabricado no Assentamento Joana D’Arc a um número cada vez maior de consumidores.
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