Número 2 da linha sucessória da PF sai em defesa de Andrei Rodrigues


‘Não nos deixaremos abalar por ataques, venham de onde vierem’, defendeu William Marcel Murad (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

O diretor-executivo da Polícia Federal, William Marcel Murad, defendeu publicamente o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, que teve afastamento determinado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

Nesta terça-feira 8, durante discurso na cerimônia de abertura do LXIII Curso de Formação Profissional (CFP) para agente de Polícia Federal, Murad afirmou que a corporação resistirá a “ataques”. “Manifestamos total confiança no trabalho do direitor-geral, Andrei.”

“Não nos deixaremos abalar por ataques, venham de onde vierem. Reafirmamos, aqui, nossa total confiança na gestão da Direção-Geral da Polícia Federal”, afirmou. “O momento exige serenidade, e saberemos atravessar esta tempestade, como tantas vezes fizemos no passado.”

Murad também defendeu a autonomia e independência da PF. “Nossa atuação é técnica, imparcial e livre de vieses políticos, o que nos permite defender a instituição de qualquer ataque, independentemente de sua origem.”

Para ele, a atuação da PF é pautada pela “Constituição Federal e pelas leis, pela responsabilidade institucional e pelo compromisso com a justiça”, e é voltada ao interesse público, o que “confere a confiança necessária de que a verdade, buscada incansavelmente em nossas investigações, prevalecerá”, concluiu.

Em resposta à determinação de Mendonça, a Advocacia-Geral da União se prepara para apresentar um recurso e contestar a medida. Apesar disso, já há maioria na Segunda Turma para referendar a decisão do ministro. Gilmar Mendes pediu vista – mas, até que o processo volte a ser analisado, continuam valendo os efeitos da decisão individual de Mendonça.

O comando interino da corporação, portanto, fica a cargo do diretor-executivo, que assume a liderança das operações e da gestão administrativa da corporação enquanto perdurar a determinação de afastamento de Andrei. Murad ingressou na PF em 2002 e tem mais de 24 anos de atuação na instituição.

A determinação de Mendonça

André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta terça-feira 8 o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa. A medida representa uma nova escalada da crise que envolve o Supremo, a PF e as investigações relacionadas ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro.

O ministro também determinou que a Corregedoria da PF abra procedimentos de natureza penal e administrativo-disciplinar para investigar a produção de relatórios de inteligência que, segundo ele, foram usados para monitorar sua atuação e analisar decisões judiciais, além da conduta de autoridades públicas.

Mendonça afirma ter identificado “robustos indícios” de grave omissão, participação e conhecimento da produção dos documentos por integrantes da cúpula da PF responsáveis pela área de inteligência. Segundo ele, a posição hierárquica de Rodrigues e Almada e a relação direta de suas funções com os fatos justificam a medida.

“O afastamento cautelar possui objetivo preciso e juridicamente delimitado: evitar que referidas autoridades possam valer-se das prerrogativas, dos acessos, dos sistemas, das relações institucionais e dos instrumentos inerentes ao cargo para interferir nas investigações em curso”, escreveu o ministro.

Fonte: Carta Capital

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