
Enquanto líderes do PL reagem com críticas inflamadas ao STF, Maurício e Mariana Carvalho evitam se posicionar e revelam distanciamento do bolsonarismo
A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e três meses de prisão pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) abriu uma fissura no cenário político de Rondônia. De um lado, senadores, deputado federal e vereadora do PL se manifestaram publicamente contra a decisão. Do outro, o silêncio eloquente de figuras que em outros tempos sugaram até a última gota do capital político bolsonarista — entre eles os irmãos Maurício e Mariana Carvalho.
Maurício, deputado federal e líder da bancada do União Brasil no Congresso, e Mariana, ex-deputada derrotada nas eleições de 2022 e 2024, foram peças centrais do bolsonarismo em Rondônia. Em 2024, Mariana chegou a trazer Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle para um comício em Porto Velho, tentativa de alavancar sua candidatura contra Léo Moraes (Podemos) — que terminou em derrota. Agora, diante da queda jurídica do ex-capitão, a dupla prefere a omissão.
Não foi sempre assim. Em março deste ano, Maurício Carvalho chegou a participar de ato pela anistia ao ex-presidente, postando que “o que temos visto não é justiça, é ativismo político travestido de decisão jurídica”. Porém, passadas 48 horas da sentença histórica, nada foi dito, diferentemente dos aliados do PL que levantaram a voz.
O contraste é evidente. O senador Marcos Rogério classificou o julgamento como “vingança política travestida de sentença” e disse que “a democracia brasileira foi violentada por uma narrativa fantasiosa”. Jaime Bagattoli foi ainda mais duro: “Condenar um homem de 70 anos a 27 anos de prisão é decretar sua morte”. O deputado Coronel Chrisóstomo publicou: “Fim do teatro! Perseguição política implacável!”, enquanto a vereadora Sofia Andrade afirmou que “um homem honesto foi condenado por um golpe que não deu”.
Já parlamentares de União Brasil, MDB, PP e Podemos preferiram manter-se em silêncio — entre eles os irmãos Carvalho, que já tiveram no bolsonarismo uma escada política, mas que hoje optam por observar de longe o naufrágio.
O julgamento terminou em 4 a 1 pela condenação de Bolsonaro pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Outros sete aliados receberam penas entre dois e 26 anos de prisão.
Assim, Rondônia revela seu mapa político fragmentado: enquanto uns gritam em defesa do ex-presidente, outros preferem o silêncio. No caso dos Carvalho, a omissão soa mais alta que qualquer palavra — sinal de cálculo político, temor das consequências jurídicas ou simples abandono de um barco que já não flutua.
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