
Presidente reafirma compromisso com a obra, destacando diálogo com ambientalistas e a importância estratégica da rodovia para integrar Porto Velho e Manaus
“Vamos fazer a BR-319, eu posso te garantir. Mas vamos fazer de comum acordo com os ambientalistas, com aqueles que precisam da estrada e, sobretudo, para atender duas capitais que não podem ficar isoladas como Porto Velho e Manaus.” A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em entrevista à Rede Amazônica reforça o compromisso do governo federal com a pavimentação da rodovia, considerada vital para a integração da Amazônia.
Lula também deixou claro que a obra precisa ser acompanhada de responsabilidade compartilhada.
“Temos que ter responsabilidade do governo federal, do governo estadual e das prefeituras para que a gente cuide da Amazônia”, alertou.
A importância da rodovia
Construída na década de 1970, a BR-319 tem cerca de 900 km e é a única via terrestre que liga Manaus a Porto Velho. Nos períodos de estiagem severa, como a de 2025, quando o Rio Madeira chegou a níveis críticos, a navegação ficou comprometida. Isso resultou em atraso no transporte de mercadorias, escassez de mantimentos em Manaus e até mesmo falta de água potável para comunidades ribeirinhas.
O chamado “Meião” da estrada, cerca de 400 km sem manutenção regular, torna-se praticamente intransitável durante o inverno amazônico. A situação evidencia a urgência de recuperação da rodovia para assegurar o abastecimento de produtos essenciais a mais de 2,2 milhões de habitantes da capital amazonense e para milhares de famílias ribeirinhas.
Conflito ambiental e propostas
A BR-319 é alvo de controvérsias. Ambientalistas, com apoio de ONGs nacionais e internacionais — e até mesmo da ministra Marina Silva (Meio Ambiente) —, defendem restrições severas à obra. Já lideranças regionais apontam que a recuperação da rodovia não só garante integração logística, como também representa dignidade para populações isoladas.
O senador Confúcio Moura (MDB-RO) já propôs transformar a BR-319 em uma Estrada-Parque, nos moldes da Transpantaneira, no Mato Grosso. Nesse modelo, a velocidade máxima seria limitada e o tráfego turístico regulado, conciliando transporte, lazer e preservação ambiental.
Desenvolvimento com preservação
O parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) respalda a continuidade da licença ambiental para a readequação da rodovia, destacando que 55% da área no entorno da BR-319 já está sob proteção em unidades de conservação. Essa rede de áreas protegidas funcionaria como barreira contra o desmatamento, tornando possível compatibilizar infraestrutura com preservação.
Em paralelo, intelectuais lembram que a capacidade humana de organizar, criar e transformar deve ser usada em favor de soluções equilibradas. “Nós podemos nomear, classificar, estudar as coisas, bem como criar técnicas e ordenar ciências”, escreveu o filósofo Francisco Porfírio, reforçando que desenvolvimento e cuidado ambiental não precisam ser antagônicos.
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