
Homem se apresentava como estudante de medicina, investidor e kitesurfista para enganar mulheres e famílias ricas; fraude sentimental cresce no Brasil e já rendeu prejuízos milionários
Porto Velho, RO - Um grupo de mulheres, com idades entre 23 e 32 anos, se uniu para barrar um estelionato amoroso em série praticado por um homem que se passava por estudante de medicina, investidor e até kitesurfista. Usando perfis no Instagram, TikTok e aplicativos de relacionamento, ele conquistava a confiança de jovens de famílias ricas para depois tentar obter vantagens financeiras.
O esquema é mais um exemplo do chamado “golpe do amor”, prática que consiste em envolver a vítima sentimentalmente para depois explorá-la financeiramente. Embora não seja nova, a modalidade cresceu com o uso das redes sociais e já virou alvo de alertas da Polícia Federal e da Receita Federal.
Casos revelados
As estratégias variam: em um dos relatos, uma advogada desconfiou do suposto estrangeiro com quem conversava há mais de um mês e descobriu, pelo Google Lens, que ele usava a foto de um político alemão. Em outro caso, um falso médico dizia estar em guerra e pediu R$ 25 mil, usando como imagem o rosto de um atleta.
O golpe lembra a série documental “O Golpista do Tinder”, que narra histórias de mulheres enganadas por um israelense que se passava por bilionário. No Brasil, já houve registros de perdas milionárias, como a vítima de São Paulo que, em 2022, perdeu cerca de R$ 600 mil em um falso investimento em criptomoedas.
Como funciona o estelionato sentimental
Segundo o advogado criminalista Pedro Martinez, a prática é registrada como estelionato sentimental, que existe há décadas, mas ganhou novas dimensões com a internet.
“O criminoso cria contextos sem precisar conhecer a vítima pessoalmente. Muitas vezes a vítima não leva o caso adiante na esfera criminal, mas pode buscar indenização por danos morais quando o autor é identificado”, explica.
Entre os sinais mais comuns estão:
- perfis com fotos roubadas de terceiros;
- números internacionais de WhatsApp;
- diálogos em inglês ou com tradução automática;
- histórias envolvendo mudança para o Brasil ou internações falsas;
- pedidos de ajuda financeira ligados a supostos presentes retidos em aeroportos ou a investimentos fraudulentos.
Crescente ameaça
Relatórios da Receita Federal mostram que, desde 2021, há aumento nos casos em que vítimas foram induzidas a pagar taxas alfandegárias para liberar pacotes com “presentes” ou “caixas de mudança”. Outros episódios relatam criminosos que fingem estar doentes e enviam fotos falsas de hospitais para manipular emocionalmente as vítimas.
Especialistas alertam que, além de prejuízos financeiros, esses golpes causam danos psicológicos profundos às vítimas, que se sentem traídas e humilhadas após o desmascaramento.
Relatórios da Receita Federal mostram que, desde 2021, há aumento nos casos em que vítimas foram induzidas a pagar taxas alfandegárias para liberar pacotes com “presentes” ou “caixas de mudança”. Outros episódios relatam criminosos que fingem estar doentes e enviam fotos falsas de hospitais para manipular emocionalmente as vítimas.
Especialistas alertam que, além de prejuízos financeiros, esses golpes causam danos psicológicos profundos às vítimas, que se sentem traídas e humilhadas após o desmascaramento.
Tags
BRASIL