
Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress
A chefe de gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), realizou uma visita ao Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, para avaliar as instalações onde o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode vir a cumprir pena pela trama golpista de 2022. A vistoria ocorreu na última semana e foi acompanhada pela juíza Leila Cury, titular da Vara de Execuções Penais (VEP) do Distrito Federal.
Fontes ligadas ao sistema prisional confirmaram que a comitiva percorreu três áreas diferentes da Papuda, com destaque para o PDF 1 (Penitenciária do Distrito Federal 1), unidade destinada a presos em regime fechado e que abriga o bloco de segurança máxima conhecido como Fox.
Esse setor é reservado a detentos com maior vulnerabilidade e já recebeu figuras conhecidas, como o ex-senador Luiz Estevão, o ex-ministro Geddel Vieira Lima e o ex-deputado Márcio Junqueira. O local possui celas menos lotadas, além de áreas específicas para visitas íntimas, banho de sol e atividades de reintegração social, conforme prevê a Lei de Execução Penal.
De acordo com servidores do presídio, o bloco Fox passa por reformas emergenciais, incluindo a substituição dos vasos sanitários das celas, obra que pode ser acelerada diante da possível chegada de novos presos.
Além da Papuda, a auxiliar de Moraes também visitou o 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, conhecido como “Papudinha”, onde o ex-ministro Anderson Torres ficou detido preventivamente em 2023.
O gabinete do ministro Moraes não se manifestou sobre a visita, enquanto o Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT) informou que a juíza Leila Cury realiza inspeções regulares no sistema prisional, conforme determina a legislação. O tribunal reforçou ainda que nenhum processo de execução penal ligado aos ataques de 8 de Janeiro foi transferido ao âmbito local.
Onde Bolsonaro pode cumprir pena
Condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar a tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro é o primeiro ex-presidente da história do Brasil a ser punido por esse crime. O STF ainda discute o local onde ele deve cumprir a pena.
Entre as alternativas estão:
- Papuda, em Brasília, presídio de segurança máxima;
- Uma unidade militar, por ser militar reformado;
- Ou prisão domiciliar, conforme pede a defesa.
A Polícia Federal também preparou uma cela na sede da corporação em Brasília, equipada com televisão, cama, geladeira e banheiro, semelhante ao espaço ocupado por Lula (PT) durante sua prisão em Curitiba.
Os advogados de Bolsonaro tentam garantir prisão domiciliar, apresentando relatórios médicos que apontam problemas de saúde, como câncer de pele e crises de soluço, alegando que o ex-presidente não teria condições de permanecer em regime fechado.
O caso gerou movimentação no Governo do Distrito Federal, que já encaminhou ao gabinete de Moraes um pedido de avaliação médica antes de eventual transferência do ex-presidente à Papuda.
O documento, assinado pelo secretário de Administração Penitenciária Wenderson Souza e Teles, solicita análise de especialistas sobre a compatibilidade do quadro clínico de Bolsonaro com as condições médicas e nutricionais oferecidas no presídio.
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