
Ação investiga supostas fraudes na contratação de organização social pela Prefeitura; Justiça determinou bloqueio de R$ 6,5 milhões em bens e afastamento de servidores
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (6) a segunda fase da Operação Cópia e Cola, que apura supostos desvios de recursos públicos envolvendo a contratação emergencial de uma organização social sem fins lucrativos pela Prefeitura de Sorocaba (SP). O contrato investigado tem relação direta com a gestão de unidades de saúde no município.
Durante a operação, foram presos preventivamente dois suspeitos e cumpridos sete mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3). A Justiça também determinou o bloqueio e sequestro de bens avaliados em cerca de R$ 6,5 milhões, além de aplicar medidas cautelares, como suspensão de função pública e proibição de contato entre investigados.
De acordo com a PF, as novas diligências foram motivadas pela análise do material apreendido na primeira fase da operação, realizada em 10 de abril de 2025, que revelou a participação de outras pessoas físicas e jurídicas no esquema.
Os investigados poderão responder por corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação ilegal e organização criminosa.
Prefeito Rodrigo Manga se manifesta
O prefeito Rodrigo Manga (Republicanos), que já havia sido alvo da primeira fase da operação, comentou o afastamento de suas funções nas redes sociais.
“Acredite se quiser, me afastaram do cargo de prefeito (...). O que a gente ouve de bastidores é que estão tentando tirar do jogo qualquer um que ameaça a candidatura deles, e você tem sido uma ameaça”, declarou Manga em vídeo publicado em seu perfil.
A Prefeitura de Sorocaba foi procurada por e-mail, mas não respondeu até o fechamento desta reportagem.
Entenda o caso
A investigação da PF começou em 2022, após suspeitas de fraudes na contratação da Organização Social Instituto de Atenção à Saúde e Educação (Iase), responsável por administrar e executar serviços de saúde na cidade. Segundo as apurações, o grupo teria desviado recursos públicos e lavado dinheiro por meio de depósitos em espécie, pagamento de boletos e negociações imobiliárias.
Durante a primeira fase, os agentes cumpriram 33 mandados de busca e apreensão, incluindo na casa do prefeito, na sede da prefeitura, na Secretaria de Saúde e até no Diretório Municipal do Republicanos.
A investigação também identificou transações suspeitas ligadas a uma igreja administrada por uma cunhada de Manga e pelo marido dela, ambos identificados como bispos. No carro de um dos investigados, foram encontradas caixas com R$ 863,8 mil em dinheiro vivo.
Na ocasião, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 20 milhões e proibiu a contratação da OS Iase pelo poder público.
Em nota, o Instituto de Atenção à Saúde e Educação (Iase) afirmou que prestará todos os esclarecimentos às autoridades e colaborará com as investigações, que tramitam sob segredo de Justiça. O partido Republicanos também foi procurado, mas não se pronunciou.
Quem é Rodrigo Manga
Reeleito em 2024 com 73,75% dos votos válidos, Rodrigo Maganhato, conhecido como Manga, ganhou notoriedade nas redes sociais com vídeos curtos e linguagem popular, o que lhe rendeu o apelido de “prefeito tiktoker”. Graduado em marketing, Manga é ex-dependente químico e fundador de uma ONG voltada à reabilitação de usuários.
Na política, iniciou a carreira como vereador, chegou à presidência da Câmara e ganhou destaque ao articular a cassação do então prefeito José Crespo, em 2017. Em 2023, lançou o livro “Governe sua Vida e Transforme o Mundo”, no qual relata sua trajetória pessoal e política.
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