Juiz determina retirada de cartazes dos Dez Mandamentos em escolas do Texas


Decisão federal suspende lei estadual aprovada em 2023

Um juiz federal dos Estados Unidos determinou nesta quarta-feira, 19, que 14 distritos escolares do Texas retirem imediatamente cartazes contendo os Dez Mandamentos exibidos em salas de aula. A decisão atende a um processo iniciado por famílias que alegavam violação da liberdade religiosa e questionavam a obrigatoriedade imposta por uma lei estadual aprovada em 2023.

A ordem judicial, assinada pelo juiz Orlando L. Garcia, do Tribunal Federal para o Distrito Oeste do Texas, entende que manter a norma em vigor tornaria “impraticável, senão impossível” evitar que estudantes fossem expostos a mensagens religiosas indesejadas. A imposição, segundo o magistrado, contraria direitos constitucionais garantidos pela Primeira Emenda.

Famílias alegam coerção religiosa em escolas públicas

O processo foi movido por pais de estudantes que argumentaram que a lei estadual violava o princípio da neutralidade religiosa. O grupo contou com apoio jurídico da ACLU do Texas, organização de defesa das liberdades civis. Segundo a entidade, a obrigatoriedade dos cartazes criava um ambiente escolar que favorecia uma religião específica, pressionando alunos de outras crenças ou não religiosos.

Em comunicado divulgado após a sentença, Lenee Bien-Willner, uma das mães envolvidas na ação, afirmou sentir alívio. Ela destacou que seus filhos, pertencentes a uma das poucas famílias judias da escola, deixariam de ser expostos continuamente a símbolos religiosos impostos pelo governo.

“O Estado não tem o direito de interferir nas decisões dos pais sobre questões de fé”, declarou.

Lei estadual obrigava exibição em todas as salas

A lei texana determinava que todas as salas de aula do ensino público exibissem cartazes com os Dez Mandamentos “em local visível”. Embora não obrigasse os distritos a comprar as placas, exigia que aceitassem doações de entidades e indivíduos interessados. Desde sua aprovação, a norma gerou debates intensos entre grupos religiosos, organizações civis e autoridades.

Defensores da lei argumentavam que os Dez Mandamentos representavam parte importante da base histórica, cultural e jurídica dos Estados Unidos. Críticos, no entanto, apontavam a medida como uma violação clara da separação entre Igreja e Estado, princípio consagrado pela Constituição federal.
Disputa nacional: casos semelhantes avançam na Justiça

A decisão no Texas ocorre em paralelo a um caso semelhante na Louisiana. Em junho, o Tribunal de Apelações do 5º Circuito considerou “claramente inconstitucional” uma lei que também obrigava escolas a exporem os Dez Mandamentos.

O governo da Louisiana solicitou revisão, e uma audiência foi agendada para janeiro, envolvendo ambos os estados. O desfecho da disputa no 5º Circuito poderá definir precedentes nacionais, pois outros legisladores republicanos já demonstraram interesse em aprovar normas semelhantes em suas jurisdições.

Paxton defende obrigatoriedade, mas gabinete não comenta sentença

Ken Paxton, procurador-geral do Texas, vinha defendendo a lei desde sua aprovação e declarando que “os Estados Unidos são uma nação cristã”. Ele já havia processado três distritos que, segundo ele, recusaram-se a instalar cartazes doados.

Até o momento, o gabinete de Paxton não comentou a decisão do juiz Orlando Garcia. No entanto, aliados do procurador-geral indicam que o estado deve recorrer.

Distritos começam a cumprir a ordem

Após a sentença, alguns distritos informaram que iniciaram a retirada dos cartazes. Fort Worth e Conroe, dois dos maiores envolvidos na ação, confirmaram que cumprem a determinação federal. Outros distritos não responderam ao pedido de comentários.

A nova ordem federal amplia uma suspensão temporária concedida em agosto, que abrangia 11 distritos. Agora, a determinação inclui 14 sistemas educacionais que haviam sido pressionados por grupos religiosos para instalar os cartazes nos últimos meses.

Decisão reacende debate nacional sobre educação e religião

Para especialistas em constitucionalismo, a sentença destaca um conflito recorrente nos EUA: o equilíbrio entre liberdade religiosa e neutralidade do Estado. A presença de símbolos religiosos em escolas públicas é tema de disputas judiciais desde o século XX, sempre envolvendo múltiplas perspectivas sociais, políticas e religiosas.

Enquanto defensores da decisão afirmam que o governo deve evitar favorecer uma fé específica, críticos consideram que retirar os cartazes representa um afastamento das tradições históricas do país. O tema deve seguir em discussão até o julgamento final no Tribunal de Apelações.

Fonte: Fatos Desconhecidos

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