
Ex-detenta abre ação por danos morais e uso indevido de imagem
A ex-detenta Sandra Regina Ruiz Gomes, amplamente conhecida como Sandrão, ingressou com um processo judicial contra a Amazon Prime Video e o Grupo Metacorp por causa da série documental Tremembé, lançada recentemente na plataforma. Na ação, que tramita no Tribunal de Justiça de São Paulo, ela pede indenização de R$3 milhões alegando danos morais, utilização indevida de sua imagem e supostos exageros na forma como sua trajetória foi representada.
A produção aborda a rotina de criminosos de grande repercussão nacional que passaram pelo Complexo Penitenciário de Tremembé, localizado no interior paulista. O caso de Sandrão ganhou destaque por sua convivência com figuras como Suzane von Richthofen e Elize Matsunaga, fato frequentemente mencionado em reportagens e documentários sobre o presídio.
Alegações do processo movido por Sandrão
No processo, Sandrão afirma que não autorizou o uso de sua imagem na obra e sustenta que a série teria manipulado eventos e comportamento atribuídos a ela. A defesa argumenta que a produção teria extrapolado fatos, contribuindo para reforçar um retrato negativo e sensacionalista. Entre os pontos contestados estão interpretações apresentadas na narrativa, que atribuem à ex-detenta um papel de liderança entre as internas.
A série também sugere que ela exercia influência direta sobre outras presas, incluindo Suzane von Richthofen. A defesa nega essa representação e a classifica como distorcida, afirmando que Sandrão nunca ocupou posição hierárquica no presídio.
Outro ponto questionado diz respeito a uma marca supostamente causada por um tiro durante o crime pelo qual foi condenada. Segundo a ex-detenta, a série teria mostrado essa característica física para reforçar uma imagem agressiva e associá-la a antecedentes violentos inexistentes. Na petição, ela afirma que isso “compromete sua integridade e ampliou estigmas sociais já existentes”.
A polêmica sobre a “gaiola do amor”
A série menciona um espaço reservado no presídio conhecido como “gaiola do amor”, onde casais homoafetivos teriam encontros íntimos. Sandrão nega a existência do local e alega que o recurso dramatúrgico reforça estereótipos e situações que, segundo ela, jamais aconteceram. De acordo com sua declaração, demonstrações de afeto explícitas não eram permitidas em público, e qualquer intimidade ocorria estritamente dentro das celas, seguindo regras do sistema prisional.
Amazon ainda não se pronunciou
A Amazon Prime Video não emitiu resposta oficial sobre o caso até o momento. A plataforma segue a política interna de não comentar processos em andamento. O Grupo Metacorp, responsável pela produção, também não divulgou posicionamento público.
Especialistas em direito digital ouvidos por veículos de imprensa afirmam que casos envolvendo uso de imagem em produções de true crime são complexos, especialmente quando se trata de pessoas condenadas criminalmente, cuja trajetória já é documentada em registros públicos. Ainda assim, a discussão sobre limites éticos e ficcionalização permanece em pauta.
Relembre o crime que levou Sandrão à prisão
O caso que culminou na condenação de Sandrão ocorreu em 2003, na periferia de Mogi das Cruzes (SP). Ela foi sentenciada inicialmente a 27 anos de prisão, depois reduzidos para 24 anos, pelo sequestro e morte de Talisson Vinicius da Silva Castro, de 14 anos.
O crime envolvia pedido de resgate negociado com a família do adolescente. Sandrão admitiu participação nas negociações financeiras, mas alegou ter sido coagida pelo então namorado, Valdir Pereira Martins, considerado mentor do crime. O adolescente foi morto com um tiro na cabeça, e seu corpo encontrado amarrado e amordaçado.
Embora não tenha disparado o tiro, Sandrão foi condenada por participação direta no sequestro. Em 2015, progrediu ao regime semiaberto e, posteriormente, à liberdade condicional, mantendo-se distante da mídia até o lançamento da série.
Próximos desdobramentos
O processo agora segue para análise judicial, incluindo pedidos de perícia, manifestação das empresas citadas e avaliação de eventuais responsabilidades. Caso a decisão seja favorável à ex-detenta, a Amazon e o Grupo Metacorp poderão ser obrigados a pagar indenização e adequar procedimentos futuros para uso de imagem em produções documentais.
Fonte: Fatos Desconhecidos
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