Mais de 30 países pressionam presidência brasileira da COP30 por roteiro para eliminar combustíveis fósseis


Carta enviada a Belém cobra texto mais ambicioso e metas claras para transição global; proposta atual não menciona petróleo, carvão e gás

Mais de trinta países encaminharam nesta quinta-feira (21) uma carta à presidência brasileira da COP30 solicitando uma revisão profunda na proposta de acordo final e a inclusão de um roteiro explícito para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis. O pedido aumenta a pressão sobre a diplomacia brasileira, que conduz as negociações da conferência realizada em Belém.

O diplomata André Corrêa do Lago, responsável pela condução do evento, enfrenta intensos debates entre representantes de quase 200 delegações reunidas desde a semana passada. O rascunho mais recente do texto — consultado pela agência AFP — não menciona combustíveis fósseis, ponto considerado essencial por diversos países para a credibilidade do acordo.
 
Países europeus e latino-americanos manifestam “profunda preocupação”

Na carta, França, Reino Unido, Alemanha, Colômbia, entre outros governos, afirmam estar “profundamente preocupados” com a proposta apresentada. Para eles, o documento atual não cumpre os requisitos mínimos para um resultado sólido. França e Bélgica confirmaram publicamente sua adesão ao pedido.

Os países signatários alertam que não apoiarão um acordo que não estabeleça um caminho claro para uma transição justa e organizada, que leve ao fim do uso de petróleo, carvão e gás, responsáveis por boa parte do aquecimento global.

A discussão sobre o abandono dos combustíveis fósseis — que voltou a ganhar força nesta edição — já era considerada improvável desde que a pauta surgiu pela primeira vez na COP28, em Dubai.

Lula defende roteiro, mas países poderosos resistem

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a criação de um roteiro na abertura da COP30. Apesar disso, o tema continua dividindo os países.

Segundo uma fonte ouvida pela AFP, China, Índia, Arábia Saudita, Nigéria e Rússia rejeitaram a proposta apresentada pelo Brasil no primeiro rascunho, que listava diferentes abordagens possíveis.

Cientistas classificam propostas como insuficientes

Além da pressão diplomática, a presidência da COP30 também recebeu críticas de um grupo de cientistas. Eles afirmam que as alternativas sugeridas — como a realização de workshops ou reuniões ministeriais — não configuram um plano de ação real.

Os especialistas defendem que um roteiro consistente precisa incluir:

  • Metas objetivas;
  • Medidas concretas;
  • Responsabilidades definidas;
  • Financiamento adequado, especialmente para países emergentes e em desenvolvimento.

O cientista Johan Rockström, diretor do Instituto Postdam e conselheiro da conferência, alertou que as emissões globais precisam cair 5% ao ano imediatamente. Atualmente, porém, aumentam cerca de 1% ao ano. Ele destacou ainda que mesmo as propostas mais ambiciosas apresentadas até agora na COP30 reduzem emissões em apenas 5% ao longo de 10 anos, ritmo que considera “dez vezes mais lento do que o necessário”.
 
Riscos para bilhões de pessoas

Os pesquisadores reforçam que, sem um roteiro robusto, o mundo corre riscos graves e cada vez mais difíceis de reverter. Para eles, garantir financiamento à transição energética de países pobres e emergentes é parte essencial do compromisso global.

 

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