Presidente da Câmara se reaproxima de líder do PT em busca de apoio antes do recesso


Hugo Motta e Lindbergh Farias retomam diálogo após meses de tensão e prometem relação institucional mais equilibrada em 2026 (foto © Getty Images)

Às vésperas do recesso parlamentar, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), deu sinais de reaproximação com o líder da bancada do PT, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), com foco na recomposição do diálogo institucional e na busca de apoio do partido nas votações da Casa. A retomada da relação ocorre após um período de fortes divergências políticas entre os dois parlamentares.

O rompimento havia ocorrido em novembro, motivado por desentendimentos sobre a condução de pautas consideradas sensíveis, como o projeto antifacção — apontado como uma das principais respostas do governo federal à crise da segurança pública — e a escolha do relator da proposta.

À época, Motta indicou o deputado Guilherme Derrite (PP-SP), aliado do governador paulista Tarcísio de Freitas, o que gerou críticas internas no PT.

Além disso, a relação já era marcada por atritos, com aliados do presidente da Câmara alegando que Lindbergh buscava desgastar a imagem da Casa junto à opinião pública. O cenário se agravou quando Motta pautou o projeto de lei que tratava da redução de penas de condenados pelos atos golpistas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, proposta que contou com apoio da oposição e de parte da base governista.

Na ocasião, Lindbergh fez duras críticas na tribuna, afirmando que Hugo Motta estaria “perdendo as condições” de permanecer no comando da Câmara e poderia responder por crime de responsabilidade. Motta reagiu nas redes sociais, defendendo a necessidade de proteger a democracia e criticando o que chamou de “intimidação travestida de ato político”.

Com o arrefecimento das tensões e após a cassação dos mandatos dos ex-deputados Carla Zambelli, Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem, os dois parlamentares voltaram a se falar por telefone. O diálogo avançou para um encontro presencial realizado na sexta-feira (19), na residência oficial do presidente da Câmara, onde discutiram a crise, os desentendimentos recentes e a necessidade de ampliar o diálogo institucional.

Em declarações à imprensa, Lindbergh afirmou que nunca houve problemas pessoais com Hugo Motta, mas divergências sobre pautas específicas, como a dosimetria das penas, o projeto antifacção e a cassação do deputado Glauber Braga, que acabou suspenso. Segundo ele, a expectativa é de uma relação mais harmoniosa no próximo ano legislativo.

Hugo Motta, por sua vez, declarou que o conflito sempre esteve no campo do mérito dos projetos e de comportamentos políticos, e que a conversa serviu para “zerar o jogo”. O presidente da Câmara também destacou o respeito à bancada do PT e a importância do diálogo institucional.

Lindbergh Farias permanece como líder do PT até 2 de fevereiro, quando o Congresso retoma os trabalhos após o recesso parlamentar. A partir dessa data, o deputado Pedro Uczai (RS) assumirá a liderança da bancada. Mesmo deixando o cargo, Lindbergh deve continuar com influência política, especialmente por sua atuação nas redes sociais e por sua proximidade com o Palácio do Planalto.


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