Trump ameaça taxar vinhos franceses em até 200% se França rejeitar Conselho de Paz para Gaza


Presidente dos EUA reage à sinalização de Emmanuel Macron e vincula adesão ao órgão internacional a retaliações comerciais (foto © Chip Somodevilla/Getty Images)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que poderá impor tarifas de até 200% sobre vinhos e champanhes franceses caso a França se recuse a integrar o Conselho de Paz para Gaza, iniciativa lançada por Washington como parte da segunda fase do acordo de cessar-fogo entre Hamas e Israel.

A declaração ocorreu após a sinalização de que o presidente francês, Emmanuel Macron, não pretende aderir ao conselho “neste momento”. Segundo informações divulgadas pelo New York Post, Paris manifestou reservas quanto à compatibilidade da proposta com os princípios e a estrutura das Nações Unidas (ONU).

Ao comentar a resistência francesa, Trump ironizou a postura do governo de Macron e vinculou a adesão ao conselho a possíveis sanções comerciais. “Vou impor uma tarifa de 200% sobre vinhos e champanhes”, afirmou o presidente norte-americano, acrescentando que Macron “não precisa participar”.

Reação da França e posição da ONU

Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores da França confirmou que recebeu o convite para integrar o Conselho de Paz e informou que o governo analisa o texto da proposta em coordenação com parceiros internacionais. Segundo a chancelaria, o escopo do órgão “vai além da Faixa de Gaza”.

O governo francês também reforçou seu compromisso com a Carta das Nações Unidas, destacando que o documento segue como base do multilateralismo, da igualdade soberana entre os Estados e da resolução pacífica de conflitos. A França é membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, com direito a veto.

Conselho de Paz para Gaza

De acordo com a Casa Branca, o Conselho de Paz para Gaza terá como missão supervisionar um comitê palestino temporário de tecnocratas, mobilizar recursos internacionais e assegurar mecanismos de responsabilização durante a transição do território do conflito armado para a fase de reconstrução.

Trump já divulgou parte da composição do órgão. Entre os nomes convidados estão o secretário de Estado Marco Rubio, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o enviado especial para o Oriente Médio Steve Witkoff, o empresário Jared Kushner, genro do presidente, o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, e o investidor Marc Rowan.

Convites a líderes internacionais

Além da França, o governo norte-americano confirmou convites a diversos líderes mundiais. A Rússia informou que Vladimir Putin recebeu o convite, atualmente sob análise do Kremlin. Trump também citou convites ao rei Abdullah II, ao presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan, ao presidente da Argentina Javier Milei, ao presidente do Paraguai Santiago Peña, e aos primeiros-ministros Shehbaz Sharif (Paquistão), Narendra Modi (Índia) e Mark Carney (Canadá).

Washington também estendeu o convite à China e ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ampliando o alcance político do conselho em meio às negociações internacionais sobre o futuro da Faixa de Gaza.

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