
Após mais de uma década de processos, ex-prefeito é novamente absolvido pela Justiça de Rondônia
Onde você estava em dezembro de 201? A imensa maioria não vai lembrar, mas o ex-prefeito Roberto Sobrinho nunca vai esquecer. Faltando menos de dez dias para o fim do seu mandato, Sobrinho tinha mais de 80 por cento de aprovação e se tornava um fortíssimo candidato ao Governo do Estado, dali a dois anos. Nove dias antes do final, ele saiu preso da Prefeitura, numa daquelas ações midiáticas que pegam criminosos (e também inocentes) os expõem na mídia e depois eles que se virem para provar que estão sendo injustiçados.
De 2012 até agora, passados bem mais de 13 anos, indo para o 14º, Roberto Sobrinho respondeu a mais de 70 processos. Um era aberto e depois dividido em vários outros. A vida pessoal dele foi destruída, assim como sua carreira política.
Nesta semana, tantos anos depois, um dos personagens mais injustiçados da nossa política (como o foram, apenas para dar alguns poucos exemplos, os ex-governadores e ex-senadores Valdir Raupp e Ivo Cassol e o também ex-senador Acir Gurgacz) Sobrinho foi absolvido pela enésima vez.
Na mais recente decisão, a 2ª Câmara Especial do Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia absolveu o ex-prefeito de Porto Velho Roberto Eduardo Sobrinho no processo relacionado à chamada Operação Luminus, que denunciou desvios na Emdur, durante seu governo.
No acórdão Tribunal foi claro ao afirmar: “também não foi demonstrado que o então Prefeito concorreu para os desvios, tendo, ao contrário, adotado medidas administrativas regulares de apuração e controle.”
Quem vai devolver a Roberto Sobrinho, sua família, seus amigos e os parceiros políticos o que foi destruído durante estes anos todos? Ninguém, é claro. Mas ao menos a injustiça tem sido corrigida.
A resposta é dura e conhecida: ninguém. A Justiça pode absolver — e tem absolvido —, mas o tempo não volta. Ainda assim, cada decisão que reconhece a inexistência de culpa representa, ao menos, a correção formal de uma injustiça que demorou anos para ser enfrentada. Em um cenário onde acusações ganham manchetes imediatas e absolvições chegam em silêncio, o caso de Roberto Sobrinho deixa uma reflexão incômoda sobre os limites entre investigação, espetáculo e responsabilidade institucional.
Coluna Opinião de Primeira - Sérgio Pires
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