
Instituição enfrentava grave crise de liquidez; banco já integrou grupo investigado por supostas fraudes financeiras (foto © Ueslei Marcelino/Reuters)
O Banco Central do Brasil decretou, nesta quarta-feira (18), a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, antigo Voiter, instituição que já integrou o conglomerado do Banco Master, alvo de investigações por supostas fraudes financeiras.
O Banco Pleno fazia parte do conglomerado Master até julho de 2025. À época, o controle foi transferido para o empresário Augusto Lima, após sua saída da sociedade com Daniel Vorcaro. Ambos chegaram a ser presos no âmbito da Operação Compliance Zero, sendo posteriormente liberados mediante uso de tornozeleira eletrônica.
Nos últimos meses, o Pleno enfrentava sérios problemas de liquidez e buscava um investidor para manter suas operações. Por determinação do Banco Central, a instituição estava impedida de emitir novos Certificados de Depósito Bancário (CDBs), principal fonte de captação de recursos. No mercado secundário, esses títulos chegaram a ser negociados com rendimento de até 165% do CDI no fim de 2025, reflexo do elevado risco percebido.
De acordo com dados do Banco Central referentes a junho de 2025, o então ex-Voiter apresentava patrimônio líquido de R$ 672,6 milhões e lucro líquido de R$ 169,3 milhões. No entanto, o passivo total alcançava R$ 6,68 bilhões, sendo R$ 5,4 bilhões concentrados em CDBs.
Em nota oficial, o Banco Central informou que o conglomerado do Pleno representava apenas 0,04% do ativo total e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional, minimizando riscos sistêmicos.
A decisão ocorre em meio a uma série de liquidações no setor financeiro. Em novembro do ano passado, o Banco Central já havia decretado a liquidação do Banco Master, Master de Investimento, Master Corretora e Letsbank. Em janeiro, foram liquidadas a administradora de fundos Reag e o Will Bank.
Os problemas do Pleno, no entanto, são antigos. Ainda sob o nome Indusval, a instituição acumulou prejuízos e passou por diversas reestruturações. Em 2019, adotou a marca Voiter, apostando em um plano de transformação digital que não obteve sucesso.
Em 2023, a Capital Consig chegou a negociar a compra do Voiter, mas o negócio não avançou. Em fevereiro de 2024, o Banco Master assumiu o controle. Já em julho de 2025, o Banco Central aprovou a transferência da instituição para Augusto Lima, que rebatizou o banco como Pleno, em meio às negociações para a venda do Master ao BRB.
Quatro meses depois, Lima foi preso no desdobramento das investigações.
Quem é Augusto Lima?
A trajetória de Augusto Lima é marcada por rápida ascensão no mercado financeiro. Fundador do Credcesta em 2018, o empresário expandiu operações de crédito consignado por 24 estados e 176 municípios. Em novembro de 2025, foi preso na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes em carteiras de crédito vendidas pelo Banco Master ao BRB.
Reportagens da Folha de S.Paulo apontam que o empresário esteve ligado a estruturas societárias complexas, fundos de investimento e relações com instituições posteriormente investigadas e liquidadas pelo Banco Central.
Com a liquidação extrajudicial, o Banco Central nomeará um liquidante para conduzir o processo, apurar ativos e passivos e definir o pagamento de credores, conforme a legislação vigente. A medida encerra as operações do Banco Pleno e reforça o cerco regulatório sobre instituições com fragilidades financeiras e suspeitas de irregularidades.
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