Por trás da calmaria, a política de Rondônia ferve a sete meses das urnas


Cenário aparentemente tranquilo esconde disputas silenciosas, vaidades infladas e um tabuleiro que muda a cada semana rumo às eleições de outubro

A política rondoniense vive um momento que engana até os observadores mais atentos. Na superfície, uma calmaria quase plácida — que não chega a ser pleonasmo, embora pareça. No subsolo, porém, a lava ferve.

Candidaturas que pareciam sólidas começam a se dissolver; outras, que jamais empolgaram o eleitorado, seguem sustentadas apenas pela autoconfiança de seus donos. Há ainda os populares que lideram pesquisas, mas já avisaram que não entrarão na disputa, e os aventureiros de sempre, de olho não no voto, mas em uma fatia do Fundo Partidário.

Faltando pouco mais de sete meses para outubro, o cenário é de incerteza calculada. Muitos falam, poucos decidem. E quase ninguém mostra todas as cartas.
 
De dois nomes a um cardápio inchado

Até pouco tempo atrás, o jogo para o Governo de Rondônia parecia simples: Marcos Rogério e Adailton Fúria despontavam como os únicos nomes realmente viáveis. Esse desenho já ficou no passado. Hoje, o tabuleiro ganhou novas peças e muita indefinição.

Entram na conversa Hildon Chaves, Delegado Flori, o vice-governador Sérgio Gonçalves, o recém-reposicionado Expedito Netto, agora orbitando o campo petista, e o sempre presente representante das esquerdas, Samuel Costa. Soma-se a isso a incógnita em torno do Coronel Braguin, que ainda avalia se tenta o Palácio Rio Madeira, o Congresso Nacional ou uma vaga na Assembleia Legislativa.

E o MDB? Vai mesmo apostar no empresário Paulo Andrade ou ainda aguarda uma composição mais robusta? Nada está fechado.
 
Bastidores longos, decisões curtas

As conversas se acumulam, os encontros se repetem e os bastidores fervilham, mas a decisão final ainda não chegou. Um exemplo claro é Hildon Chaves, que recusou o convite para disputar o Governo pelo MDB, mesmo com a oferta de amplo controle partidário. Hoje, sua aproximação mais concreta é com o União Brasil, o que redesenha alianças e incomoda antigos aliados.

Outro ponto que segue gerando especulação é o futuro político do governador Marcos Rocha. Pela enésima vez, agora em entrevista ao jornalista Robson Oliveira, ele reafirmou que não será candidato ao Senado. Ainda assim, poucos apostam que o assunto esteja definitivamente encerrado.
 
Nada definido, tudo em movimento

Com 234 dias até as urnas, a única certeza é que o cenário atual não sobreviverá intacto até o período das convenções. Candidaturas devem cair, alianças improváveis podem surgir e discursos firmes de hoje podem se tornar lembranças incômodas amanhã.

Na política de Rondônia, como em toda boa cratera vulcânica, o perigo não está no silêncio — mas exatamente nele. Porque quando a lava resolve subir, não avisa.




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