
Com o governador migrando para o PSD, UB perde força política, tenta se reorganizar na federação com o Progressistas e ainda busca um nome competitivo para o Governo do Estado
A decisão do governador Marcos Rocha de deixar o União Brasil (UB), partido pelo qual foi reeleito, e se filiar ao PSD, abriu um novo e delicado capítulo na política rondoniense. A saída do chefe do Executivo estadual tende a provocar um forte esvaziamento da sigla, que agora enfrenta incertezas quanto ao seu futuro, às alianças e à viabilidade eleitoral nas eleições de outubro.
A expectativa nos bastidores é de que Marcos Rocha leve consigo para o PSD a maior parte dos quadros mais fortes do atual governo, reduzindo significativamente o peso político do União Brasil em Rondônia. Com isso, restará como principal liderança da sigla o deputado federal Maurício Carvalho, que passa a concentrar o comando e as decisões estratégicas do partido no estado.
Por determinação das executivas nacionais, o União Brasil rondoniense deverá formar uma federação com o Progressistas (PP), atualmente comandado pela deputada federal Sílvia Cristina, nome já colocado como pré-candidata ao Senado. A grande incógnita, porém, é como as duas siglas caminharão na disputa pelo Governo do Estado dentro dessa nova configuração.
Uma das alternativas consideradas viáveis eleitoralmente é a tentativa de atrair o ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves, ainda filiado ao PSDB. As conversas existem e avançam nos bastidores, mas nenhuma definição foi tomada até o momento. Hildon, inclusive, também tem sido sondado pelo MDB para liderar uma eventual chapa ao governo estadual, o que amplia ainda mais o cenário de indefinição.
Além disso, o União Brasil ainda conta com um nome de peso: a ex-deputada federal Mariana Carvalho. Dentro da federação com o PP, cresce a especulação sobre a possibilidade de Sílvia Cristina e Mariana Carvalho formarem a dobradinha para disputar as duas vagas ao Senado Federal. Mesmo assim, o partido pode enfrentar dificuldades para montar nominatas competitivas tanto para a Câmara dos Deputados quanto para a Assembleia Legislativa.
Outra opção em análise é o lançamento do vice-governador Sérgio Gonçalves como candidato ao Governo do Estado. A hipótese é real, mas considerada extremamente difícil do ponto de vista eleitoral. Com Marcos Rocha sinalizando que permanecerá no cargo até o último dia do mandato, Gonçalves não assumiria o governo e, sem a máquina administrativa, suas chances de chegar a um eventual segundo turno são vistas, por analistas políticos, como remotas.
Diante desse cenário, o União Brasil vive um momento de retração e incertezas. O partido, que já foi protagonista no comando do Executivo estadual, agora busca alternativas para sobreviver politicamente, manter relevância e evitar um desempenho tímido nas urnas. A resposta para essas dúvidas deverá começar a se desenhar nos próximos meses, à medida que alianças forem oficializadas e o tabuleiro eleitoral de Rondônia ganhar contornos mais definidos.
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