Governador interino promove mais de 500 exonerações e amplia reestruturação no Governo


Ricardo Couto intensifica cortes administrativos, substitui aliados de Cláudio Castro e mantém auditorias enquanto sucessão estadual segue indefinida no STF

Há quase um mês no comando do Governo do Rio de Janeiro, o governador interino Ricardo Couto vem promovendo uma ampla reestruturação administrativa no estado. Segundo dados oficiais, mais de 500 exonerações já foram realizadas nas últimas semanas, número que ainda pode aumentar conforme o andamento das auditorias e revisões internas.

Couto assumiu o comando do Executivo fluminense após a renúncia do ex-governador Cláudio Castro (PL). Inicialmente, a expectativa era de que sua permanência no cargo fosse breve, encerrando-se ainda neste mês com a escolha de um novo governador para um mandato-tampão.

Entretanto, o processo sucessório foi impactado por uma disputa judicial em análise no Supremo Tribunal Federal (STF), que ainda não definiu se a escolha do novo chefe do Executivo será feita por eleição indireta, na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), ou por eleição direta nas urnas. Sem uma nova decisão, Ricardo Couto permanece à frente do governo estadual.

Desde que assumiu, o desembargador intensificou medidas de contenção de gastos e reorganização da máquina pública. Além das exonerações de cargos comissionados, ele restringiu a abertura de novas licitações e determinou auditorias em contratos, despesas e quadros de pessoal de diversos órgãos estaduais.

As mudanças atingiram setores estratégicos anteriormente ocupados por aliados de Cláudio Castro. Houve substituições em secretarias e estatais importantes, como a Rioprevidência e a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), ambas alvo de apurações relacionadas a investimentos no Banco Master.

Nos bastidores, aliados do ex-governador têm demonstrado insatisfação com as alterações promovidas pela gestão interina. Sob reserva, integrantes do grupo político afirmam que as exonerações atingiram diretamente indicações políticas e defendem que, por se tratar de um governo provisório, Couto não deveria promover mudanças estruturais de grande impacto.

De acordo com o governo estadual, 544 exonerações já foram oficializadas. A maior parte ocorreu na Secretaria de Governo e na Casa Civil, atualmente comandadas pelo delegado Roberto Lisandro Leão e pelo procurador Flávio Willeman, respectivamente.

Segundo a administração estadual, as exonerações foram motivadas por “inconsistências funcionais”, incluindo ausência de registros de acesso aos sistemas internos e inexistência de credenciamento institucional em alguns casos.

O Palácio Guanabara afirma que as medidas fazem parte de um “processo de revisão estrutural”, com foco na redução de despesas públicas e no aumento da eficiência administrativa. A estimativa é de uma economia anual de aproximadamente R$ 8 milhões.

Sucessão indefinida mantém crise política

O cenário sucessório no Rio de Janeiro segue indefinido após uma série de renúncias e afastamentos que provocaram um colapso institucional na linha de sucessão estadual.

Com a saída de Cláudio Castro do governo e a renúncia do vice-governador Thiago Pampolha, que deixou o cargo em 2025 para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado, a substituição imediata caberia ao presidente da Alerj.

No entanto, Rodrigo Bacellar, que ocupava o posto, foi afastado e teve o mandato cassado, abrindo espaço para que o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto, assumisse interinamente o comando do estado.

O STF analisa agora não apenas o formato da eleição do novo governador, mas também se o novo presidente da Alerj poderá assumir interinamente o cargo e se, em caso de eleições diretas, o Rio de Janeiro poderá enfrentar dois pleitos eleitorais distintos.

Encontro entre Castro e Couto expõe tensão nos bastidores

Em meio à sequência de exonerações, Cláudio Castro e Ricardo Couto se reuniram na última sexta-feira (17), na sede do Tribunal de Justiça do Rio. O encontro foi solicitado pelo próprio governador interino e teve as demissões como um dos principais assuntos discutidos.

Segundo interlocutores, Castro pediu cautela nas mudanças promovidas pela nova gestão e questionou os critérios utilizados nas exonerações, especialmente os casos baseados na ausência de acesso a sistemas internos, argumentando que isso, isoladamente, não deveria justificar desligamentos.

Pessoas próximas ao ex-governador afirmam que Ricardo Couto negou qualquer tipo de perseguição política e reforçou que as auditorias e substituições têm como objetivo principal reorganizar as finanças do estado.

Ainda segundo fontes ouvidas nos bastidores, Couto teria sinalizado que busca abrir espaço fiscal para medidas como a concessão de reajuste salarial aos servidores públicos estaduais.


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