
Nova empresa inicia operação nesta quarta-feira (22) com mais de 200 funcionários e caminhões novos; Prefeitura aponta mais de 4 mil reclamações contra antiga prestadora
A empresa Sistemma Serviços Urbanos assume oficialmente, a partir da zero hora da próxima quarta-feira (22), a coleta de resíduos sólidos em Porto Velho. A mudança ocorre após o consórcio ECO PVH, liderado pelo grupo Amazon Fort, deixar a operação por não cumprir cláusulas contratuais estabelecidas no processo emergencial realizado no ano passado.
Segundo a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), foi necessário convocar a terceira colocada no certame para atender determinação do Tribunal de Contas e do Ministério Público, diante das falhas registradas durante a execução dos serviços pela antiga prestadora.
Sem um processo formal de transição entre as empresas, a Sistemma precisou acelerar sua estruturação para iniciar imediatamente os trabalhos na capital. A empresa adquiriu caminhões novos, que já saíram de Goiânia, além de contratar mais de 200 funcionários para atender a demanda da coleta urbana e distrital.
Com atuação consolidada nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Paraná, a Sistemma chega a Porto Velho trazendo experiência no setor de limpeza urbana. No entanto, segundo informações apuradas, a nova gestão encontrou dificuldades logo no início das operações.
Diligências realizadas por equipes da empresa identificaram um grande acúmulo de lixo em diversos pontos da cidade, situação que, segundo relatos internos, indicaria uma possível tentativa de dificultar o início dos serviços. Na região do baixo Madeira, incluindo vilas e distritos, moradores relatam mais de quatro dias sem coleta regular.
Relatório da Seinfra aponta recorde de reclamações
Um dos relatórios emitidos pela Secretaria de Infraestrutura revelou que o consórcio ECO PVH acumulou 4.398 reclamações desde o início da prestação dos serviços. Os dados constam no Ofício nº 1742/2026, encaminhado ao Tribunal de Contas no dia 12 de março deste ano.
Além das reclamações recorrentes, a antiga prestadora também foi alvo de aplicação de multas administrativas em razão de falhas operacionais e atrasos na coleta.
A situação chegou a mobilizar a Câmara de Vereadores de Porto Velho, que convocou o secretário municipal de Infraestrutura, Thiago Cantanhede, para prestar esclarecimentos sobre o acúmulo de lixo e os transtornos enfrentados pela população.
Perda de capacidade técnica também motivou substituição
Outro fator considerado decisivo para a saída do consórcio ECO PVH foi a chamada perda superveniente das condições de habilitação contratual.
Isso ocorreu após a saída da empresa SUMA Brasil Serviços Urbanos e Meio Ambiente S.A., integrante fundamental do consórcio e responsável por garantir parte da capacidade técnica e econômica exigida no certame original.
Segundo a Prefeitura, sem a permanência da SUMA Brasil, o grupo deixou de atender aos requisitos mínimos exigidos para a continuidade da prestação do serviço público, tornando inviável a manutenção do contrato.
Com a entrada da Sistemma, a expectativa da administração municipal é normalizar rapidamente a coleta de lixo em Porto Velho e reduzir os impactos causados pelo acúmulo de resíduos, problema que vinha gerando forte insatisfação da população e pressão sobre o poder público.
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