
Pré-candidato ao Governo de Rondônia, ex-prefeito de Cacoal afirma que experiência administrativa e origem humilde o credenciam para disputar o Palácio Rio Madeira
O advogado e ex-prefeito de Cacoal, Adailton Fúria, afirmou que pretende levar para todo o estado o modelo de gestão implementado no município da Zona da Mata, durante entrevista concedida ao programa RD Entrevista. Pré-candidato ao Governo de Rondônia, Fúria destacou obras realizadas na saúde, criticou adversários políticos, questionou o modelo de concessão da BR-364 e defendeu uma renovação administrativa no estado.
Logo no início da conversa, o ex-prefeito relembrou sua trajetória pessoal antes da política. Segundo ele, começou a trabalhar ainda criança como picolezeiro, engraxate, repositor de mercado e churrasqueiro, experiências que, segundo afirmou, ajudaram a construir sua visão de gestão pública.
“Eu comecei como picolezeiro, engraxate, já fui repositor de mercado, churrasqueiro, trabalhei com eventos durante muitos anos. Foi isso que me impulsionou para a eleição de 2012”, declarou.
Fúria ressaltou que deixou a Prefeitura de Cacoal após ser reeleito com mais de 80% dos votos para disputar um projeto maior. Ele também enfatizou a possibilidade de Rondônia eleger, pela primeira vez, um governador nascido no próprio estado.
Distanciamento da gestão Marcos Rocha
Apesar de receber apoio político do governador Marcos Rocha, o pré-candidato negou ser continuidade direta da atual administração estadual.
“Eu não sou parte da continuidade da gestão do governador. Eu nunca fiz parte da gestão dele, nunca participei das decisões do governo. Existem acertos, mas também erros que precisam ser corrigidos”, afirmou.
Ainda assim, reconheceu a importância do apoio político recebido e classificou Rocha como “um homem cristão” e “um homem de Deus”.
Saúde como principal vitrine
Durante a entrevista, Fúria apresentou a saúde pública de Cacoal como um dos principais legados de sua gestão. Ele citou a construção do Hospital Municipal de Cacoal, além da reestruturação da maternidade e da rede de atendimento infantil.
Segundo o ex-prefeito, o hospital foi entregue em apenas 14 meses e possui estrutura considerada referência no estado.
“Nós entregamos o melhor e mais amplo hospital municipal do estado de Rondônia. Um hospital com cirurgia por vídeo, algo que nenhum outro hospital municipal possui”, afirmou.
Ele também destacou investimentos em hemodiálise e redução da mortalidade infantil no município.
Críticas a Hildon Chaves
Ao comentar uma declaração do ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves, que teria afirmado que Fúria ainda não possui “cabelos brancos” suficientes para governar Rondônia, o pré-candidato respondeu com ironia e comparações administrativas.
“Pode me faltar cabelo branco, porque tenho 40 anos, mas não me falta coragem. Eu entreguei muito com pouco, enquanto Porto Velho tinha o segundo maior orçamento do estado e não conseguiu entregar um hospital municipal”, disparou.
Fúria também criticou as condições da saúde pública da capital, citando visita realizada à UPA da zona Leste.
Pedágios e energia viram alvo de críticas
Um dos momentos mais contundentes da entrevista ocorreu quando o pré-candidato abordou a implantação dos pedágios na BR-364. Fúria responsabilizou parte da bancada federal pela concessão da rodovia e afirmou que houve omissão política no debate.
Sem citar apenas um nome, ele criticou diretamente o senador Marcos Rogério pela ausência nas discussões relacionadas ao contrato de concessão.
“O que me revolta é que houve audiências públicas, discussões e ninguém defendeu o povo de Rondônia. Agora o pedágio já está implantado e quem paga a conta é a população”, afirmou.
Ele também atacou o valor da tarifa e afirmou que a cobrança poderá prejudicar a chegada de indústrias ao estado.
“O frete vai aumentar, o custo de vida vai aumentar e isso inviabiliza o crescimento de Rondônia”, declarou.
Além dos pedágios, Fúria criticou o alto valor da energia elétrica após a privatização da Eletrobras e disse que o tema precisa ser enfrentado politicamente pelo futuro governador.
Tensão política em Cacoal
Questionado sobre declarações do atual prefeito de Cacoal, Tony Pablo, que apontou dificuldades financeiras na prefeitura após assumir o cargo, Fúria minimizou a crise e afirmou que a situação foi mal interpretada pela nova equipe administrativa.
Segundo ele, despesas da saúde municipal eram cobertas por emendas parlamentares e não representavam rombo financeiro.
“Não existe dívida. O que aconteceu foi falta de entendimento técnico sobre despesas que eram custeadas com recursos de emenda parlamentar”, afirmou.
O ex-prefeito também acusou parte da imprensa de criar narrativas políticas para desgastar sua imagem.
Campana e segurança familiar
Outro tema abordado foi o episódio envolvendo um vereador de Cacoal, acusado por Fúria de permanecer próximo à sua residência monitorando movimentações da família.
O pré-candidato afirmou que houve abertura de investigação pela Polícia Civil e declarou que não aceitará intimidações políticas.
“Eu não posso aceitar alguém filmando a entrada e saída dos meus filhos e da minha esposa”, disse.
Pesquisa eleitoral e suspeita de manipulação
Fúria também comentou a suspensão judicial de uma pesquisa eleitoral divulgada recentemente pelo Instituto Veritá. Segundo ele, existem indícios de irregularidades no levantamento.
“A pesquisa foi feita com objetivo de mudar os rumos políticos das eleições de 2026. Alguém pagou essa pesquisa e isso precisa ser investigado”, afirmou.
Apesar das críticas, o pré-candidato reconheceu que aparecia em cenário competitivo no levantamento.
Relação com Expedito Neto e PSD
Ao comentar o distanciamento político do ex-deputado Expedito Neto, Fúria atribuiu o rompimento à campanha eleitoral de sua esposa, Juliane Simões, que obteve votação expressiva para deputada federal.
Segundo ele, a candidatura cresceu além do esperado e acabou gerando desconforto político.
Já sobre o PSD, partido ao qual é filiado, afirmou que possui liberdade para construir sua campanha estadual, mesmo diante da pré-candidatura presidencial do governador de Goiás, Ronaldo Caiado.
“O PSD nunca colocou faca no meu pescoço. Quem governa é a pessoa, não o partido”, declarou.
Everton Leoni como possível vice
Durante a entrevista, Fúria confirmou que o comunicador Everton Leoni é o nome escolhido para compor sua chapa como vice-governador.
Segundo ele, a escolha ocorreu após pesquisas internas apontarem a popularidade de Leoni em Porto Velho.
“O porto-velhense ainda está conhecendo minha história. O Everton é muito querido na capital e isso já aparece nas pesquisas internas”, disse.
Ao encerrar a entrevista, o pré-candidato afirmou que pretende promover uma “gestão inovadora” e reforçou o discurso de renovação política em Rondônia.
“Eu não deixei uma prefeitura com quase 90% de aprovação para fazer mais do mesmo. Nós estamos preparados para fazer as mudanças que Rondônia precisa”, concluiu.
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