Bolsonaro deve divulgar lista de pré-candidatos apoiados para orientar aliados nas eleições de outubro


Mesmo em prisão domiciliar, ex-presidente pretende indicar nomes ao Senado, governos estaduais e aliados de partidos próximos ao bolsonarismo (foto © Getty)

O ex-presidente Jair Bolsonaro deverá divulgar, nos próximos dias, uma lista oficial com os nomes dos pré-candidatos que receberão seu apoio nas eleições de outubro. A medida ocorre em meio às restrições impostas pela prisão domiciliar, condição que impede Bolsonaro de participar diretamente das campanhas eleitorais de seus aliados.

Segundo pessoas próximas ao ex-presidente, a intenção inicial é indicar principalmente os pré-candidatos ao Senado pelo Partido Liberal (PL), mas a relação poderá incluir também postulantes aos governos estaduais e até nomes de outras siglas alinhadas politicamente ao grupo bolsonarista.

De acordo com a coordenação da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro, o PL já possui alianças consolidadas em 22 estados brasileiros.

A divulgação da lista também é vista como uma estratégia para reduzir disputas internas dentro do bolsonarismo em alguns estados. Parte dessas divergências envolve nomes apoiados pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, atual presidente do PL Mulher, que busca ampliar sua influência na formação dos palanques estaduais.

Nos bastidores, aliados afirmam que a intenção do grupo é evitar a dispersão do eleitorado conservador entre candidatos considerados independentes ou sem apoio direto do núcleo bolsonarista. Integrantes próximos ao ex-presidente classificam esses possíveis concorrentes como “caroneiros” do movimento político liderado por Bolsonaro.

Um acordo firmado pela cúpula do PL definiu que Jair Bolsonaro ficará responsável pela escolha dos candidatos ao Senado, enquanto o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, conduz as articulações relacionadas às candidaturas aos governos estaduais. As definições começaram durante a janela partidária, em março, e devem ser concluídas nas convenções partidárias previstas entre julho e agosto.

Neste ano, estarão em disputa 54 das 81 cadeiras do Senado Federal, permitindo que cada estado eleja dois representantes. A meta do grupo bolsonarista é conquistar uma bancada robusta na Casa Legislativa, ampliando a influência política do campo conservador no Congresso Nacional.

A situação jurídica de Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, alterou significativamente a dinâmica política do partido. Até março, antes do início do cumprimento da prisão domiciliar, o ex-presidente ainda recebia aliados e pré-candidatos para reuniões políticas, nas quais discutia cenários eleitorais e estratégias regionais. Desde então, as articulações passaram a ser conduzidas com maior protagonismo de Flávio Bolsonaro e da direção nacional do PL.

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