
PF aponta pagamento mensal, benefícios de luxo e favorecimento legislativo ao Banco Master; defesa nega irregularidades e diz que acusações se baseiam em interpretações precipitadas de mensagensm (foto © Getty)
A Polícia Federal aponta que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) recebeu propina de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e “instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar” em favor dos interesses do banqueiro no Congresso Nacional. O parlamentar, que também preside o PP, foi alvo de busca e apreensão nesta quinta-feira, 7, na quinta fase da Operação Compliance Zero.
A defesa de Ciro Nogueira afirmou que “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, que autorizou as diligências com base em provas reunidas pela PF, indica que o senador recebia uma mesada de R$ 300 mil de Vorcaro. Segundo a investigação, “há relatos de que o montante teria evoluído para R$ 500 mil”.
Os investigadores também apontam que o banqueiro teria cedido gratuitamente ao senador, por tempo indeterminado, um imóvel de alto padrão, além de custear hospedagens, deslocamentos e outras despesas ligadas a viagens internacionais de luxo. Entre os gastos citados estão estadias no Park Hyatt New York, refeições em restaurantes de alto padrão e despesas atribuídas ao parlamentar e à sua acompanhante. A investigação menciona ainda a disponibilização de um cartão para cobrir gastos pessoais.
Outro ponto apurado envolve a aquisição, por Ciro Nogueira, de participação societária estimada em cerca de R$ 13 milhões pelo valor de R$ 1 milhão, operação que, segundo a PF, teria sido viabilizada por Vorcaro.
De acordo com a investigação, o negócio teria envolvido a venda de 30% da empresa Green, que teria participação na Trinity, para a CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., formalmente administrada pelo irmão do senador, Raimundo Nogueira, também alvo de mandado de busca e apreensão. A defesa dele não se manifestou.
“A narrativa policial enfatiza que os elementos colhidos demonstrariam a existência de um arranjo funcional e instrumental orientado por benefício mútuo, extrapolando relações de mera amizade”, afirma a PF.
Como revelou o Estadão, a Polícia Federal encontrou no celular de Vorcaro diálogos com o senador e ordens de pagamento destinadas a uma pessoa identificada apenas como “Ciro”. À época, o parlamentar afirmou conhecer o banqueiro, mas negou proximidade e recebimento de valores.
A PF também identificou mensagens em que Vorcaro se refere ao senador como “um grande amigo de vida” e comemora uma iniciativa legislativa apresentada por Ciro Nogueira que beneficiaria o Banco Master.
Uma das mensagens foi enviada em 13 de agosto de 2024, mesma data em que o senador apresentou emenda à proposta de autonomia financeira do Banco Central para elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o valor coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos por CPF. Vorcaro classificou a medida como uma “bomba atômica no mercado financeiro”.
Defesa se manifesta
“A defesa do senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar.
Reitera o comprometimento do senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos.
Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas.”
Fonte: Notícias ao Minuto
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