Entre esperança e cautela, caminhoneiros aguardam pavimentação da Expresso Porto em Porto Velho


Rota estratégica para o escoamento da produção ainda enfrenta lama, buracos e prejuízos, enquanto obra é aguardada

A pavimentação da chamada Expresso Porto, em Porto Velho, é aguardada há anos por quem depende diariamente da estrada. Apesar do anúncio da obra, caminhoneiros que utilizam o trecho mantêm a expectativa com cautela, diante das dificuldades enfrentadas ao longo do tempo.

Com oito anos de experiência na estrada, o caminhoneiro Maicon Santana relata uma rotina marcada por prejuízos e atrasos. “O caminhão vivia quebrando ali. Quando não atolava, a gente ficava duas, três horas parado porque tinha outro caminhão atolado na frente. Era bem difícil”, contou.

Segundo ele, a precariedade da via, especialmente no período chuvoso, obriga muitos motoristas a desviarem o trajeto e passarem por dentro da cidade, impactando diretamente o trânsito urbano. “Muita gente fala que a gente atrapalha, mas não vê o nosso lado. Na chuva, não tem condição de passar por ali”, afirmou.

A realidade se repete entre outros profissionais. Com mais de uma década de atuação, o caminhoneiro Paulo Fernando destaca os prejuízos constantes. “Hoje a estrada está boa, amanhã já não está. Fica cheia de buraco, barro… é ferramenta quebrando, prejuízo direto”, relatou.

A Expresso Porto é considerada uma rota estratégica por ligar a BR-364 ao Rio Madeira, sendo fundamental para o escoamento da produção, especialmente de grãos. No entanto, a estrada ainda apresenta trechos de chão batido, com poeira no verão e lama no inverno amazônico, comprometendo a segurança e a eficiência logística.

O secretário municipal de Agricultura, Douglas Bener, reforçou a importância da obra para o desenvolvimento regional. “A Expresso Porto é estratégica para o escoamento da nossa produção. Com a pavimentação, teremos mais eficiência, redução de custos e fortalecimento da cadeia produtiva”, destacou.

Entre os caminhoneiros, a pavimentação é vista como uma mudança significativa na rotina. “Se tiver o asfalto, já evita entrar dentro de Porto Velho. Ajuda muito”, afirmou Maicon. Já Paulo pondera que, além da obra, será fundamental garantir sinalização e manutenção contínua. “Não adianta fazer e largar”, disse.

Apesar da expectativa, a confiança ainda é moderada. “Promessa todo mundo fala… pra gente acreditar, tem que ver acontecendo”, completou.

A melhoria da via deve trazer benefícios diretos para toda a economia local, com redução de custos operacionais, mais agilidade no transporte de cargas e maior segurança. Outro impacto esperado é a diminuição do fluxo de caminhões dentro da área urbana, contribuindo para a mobilidade na capital.

O prefeito Léo Moraes destacou que a obra é prioridade da gestão. “A Expresso Porto é essencial para o desenvolvimento da cidade. Vai melhorar o escoamento da produção, garantir mais segurança e reduzir o impacto do trânsito pesado”, afirmou.

Enquanto a obra não sai do papel, caminhoneiros seguem enfrentando os desafios diários da estrada. Para eles, a Expresso Porto representa hoje dificuldades, mas também a esperança de um futuro com mais eficiência, segurança e melhores condições para quem move a economia da região.

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