
Mais de 300 animais foram abatidos em operação científica que busca definir plano definitivo de erradicação nas áreas protegidas do estado
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) concluiu a primeira campanha experimental de abate dos búfalos invasores que vivem em áreas protegidas do oeste de Rondônia. A ação resultou na eliminação de mais de 300 animais e integra um projeto piloto voltado à elaboração de um plano definitivo de erradicação da espécie nas unidades de conservação.
Segundo o instituto, o objetivo da operação é avaliar os métodos mais eficientes e seguros para o controle dos búfalos, além de analisar os impactos ambientais e os desafios logísticos envolvidos nas ações de manejo.
A meta é que, até o fim deste ano, ao menos 500 animais sejam abatidos, o equivalente a cerca de 10% do rebanho estimado atualmente na região.
O projeto foi dividido em duas etapas, respeitando o regime climático amazônico. Nesta primeira fase, realizada durante o período de cheia, áreas como a Reserva Biológica do Guaporé permanecem alagadas devido às chuvas e aos rios que atravessam a unidade de conservação, formando campos inundáveis característicos da biodiversidade local.
As operações ocorreram por vias terrestre, aquática e aérea, permitindo ao ICMBio testar diferentes estratégias de controle. O abate é realizado por controladores de fauna especializados, utilizando rifles.
As primeiras ações ocorreram em março, mas chegaram a ser suspensas após decisão da Justiça Federal. A operação foi retomada em 18 de maio, quando a Justiça reconheceu o caráter científico do projeto e sua importância para a construção de um plano técnico consistente de erradicação.
Atualmente, os búfalos vivem entre três unidades de conservação no oeste de Rondônia: a Reserva Biológica do Guaporé, a Reserva Extrativista Pedras Negras e a Reserva de Fauna Pau D'Óleo. A região é considerada estratégica por reunir características da Floresta Amazônica, do Pantanal e do Cerrado.
O ICMBio informou que uma segunda campanha deverá ocorrer durante o período de seca, entre agosto e setembro.
Disputa judicial
O problema envolvendo os búfalos invasores também é alvo de disputa judicial. Em uma ação civil pública, o Ministério Público Federal (MPF) pede que o governo de Rondônia e o ICMBio garantam o controle e a erradicação dos animais nas áreas protegidas.
Para desenvolver o plano técnico, o projeto reúne diferentes instituições e frentes de atuação. O ICMBio coordena a logística e a gestão ambiental das áreas; a Universidade Federal de Rondônia (Unir) participa com pesquisadores responsáveis pela análise sanitária dos animais abatidos; e uma empresa especializada atua voluntariamente na execução do abate.
Entre os pontos analisados pela pesquisa estão a capacidade diária de controle dos animais, o comportamento do rebanho, as condições ambientais que interferem nas operações e os desafios logísticos da região.
Impactos ambientais
De acordo com especialistas, os búfalos são considerados espécies invasoras porque não são nativos do Brasil e não possuem predadores naturais na região. Sem controle populacional, os animais causam danos ambientais significativos, como destruição da vegetação nativa, alteração de áreas alagadas e ameaça à fauna local.
O biólogo e analista ambiental do ICMBio, Wilhan Cândido, afirmou que o abate é atualmente a única alternativa viável diante das condições da região.
“É um ambiente único, com várias espécies endêmicas e a presença do búfalo pode levar à extinção de algumas delas”, explicou.
Segundo o especialista, a retirada dos animais vivos é inviável devido ao difícil acesso às áreas protegidas, além de não haver condições sanitárias para aproveitamento da carne, já que os búfalos cresceram sem qualquer controle sanitário.
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