
Primeiro trecho de um quilômetro deve ser implantado ainda este ano entre a Praça Madeira-Mamoré e o Cai N’Água
A Prefeitura de Porto Velho deu o primeiro passo para resgatar um dos maiores símbolos históricos e turísticos da capital: o retorno do tradicional “Maria Fumaça”. O projeto, liderado pelo prefeito Léo Moraes, prevê inicialmente a reativação de um trecho de um quilômetro entre a Praça Madeira-Mamoré e o Cai N’Água, atendendo a uma antiga demanda da população e visitantes.
Mesmo diante de desafios logísticos, custos elevados e obstáculos estruturais ao longo do trajeto, a gestão municipal decidiu tirar do papel a proposta de revitalização do passeio ferroviário. A primeira etapa já está em andamento com a recuperação dos trilhos no trecho inicial, enquanto outra frente de trabalho deve avançar no sentido oposto, partindo da Igreja de Santo Antônio em direção ao centro da cidade.
O objetivo do projeto é ainda mais ambicioso: até o segundo semestre do próximo ano, a meta é restabelecer o percurso turístico completo entre o centro de Porto Velho e a histórica Igreja de Santo Antônio, totalizando cerca de oito quilômetros de trajeto.
Para garantir a viabilidade técnica da iniciativa, uma equipe da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária deve chegar à capital rondoniense nos próximos dias. Os especialistas serão responsáveis pelos estudos finais para implantação do primeiro trecho, além de análises estruturais em pontos críticos do percurso.
Entre os principais desafios identificados estão a travessia do canal Santa Bárbara e a recuperação de um trecho de aproximadamente 200 metros, a partir do Km 1,5, que sofreu desmoronamento — considerados hoje os maiores entraves para a retomada integral do trajeto até Santo Antônio.
Na fase inicial, o passeio será realizado com a Locomotiva 18, uma das máquinas históricas da antiga Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Já para a segunda etapa do projeto, está prevista a restauração da Locomotiva 50, que permitirá percursos mais longos e com maior capacidade de passageiros.
Durante décadas, o passeio de trem foi uma das principais atrações turísticas de Porto Velho, reunindo centenas de pessoas interessadas em reviver a história da ferrovia que marcou o desenvolvimento da região Norte. A última viagem ocorreu em 1999, deixando desde então uma lacuna no turismo cultural da capital.
Agora, mais de duas décadas depois, a iniciativa promete não apenas resgatar um patrimônio histórico, mas também impulsionar o turismo e fortalecer a identidade cultural de Porto Velho. Apesar dos desafios, a expectativa é de que o retorno do “Maria Fumaça” reacenda a memória afetiva da população e volte a encantar novas gerações com um passeio que atravessa o tempo.
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