Proposta que prevê retorno do nome de estados e municípios nas placas de veículos gera críticas e reacende debate sobre custos aos motoristas


Projeto aprovado em comissão do Senado ainda será analisado pelo plenário e divide opiniões sobre utilidade e impacto financeiro para proprietários de veículos

Às vezes, a gente acha que enlouqueceu, que está delirando, que não pode ser verdade o que se está lendo. Mas daí, lembramo-nos que estamos no Brasil, um país em que o consumidor é tratado como otário e que até personalidades importantes, como o é o senador catarinense Espiridião Amin, pode apresentar um projeto que carimba nossa testa como idiotas.

Vamos recapitular: em 21 de maio de 1998, o Contran criou uma Resolução obrigando todos os motoristas a andarem com um ridículo Kit de Primeiros Socorros em seus carros. Milhões e milhões de reais foram arrecadados para esta porcaria, que não serviu para nada, a não ser encher os bolsos das empresas que a vendiam.

Em 2015, fomos obrigados a usar apenas um tipo de extintor, que tinha uma fórmula especial, em mais uma das vergonhosas imposições, para que os donos de veículos trocassem seu equipamento e enchessem o bolso de algumas empresas.

Em 2014, nova lei: tínhamos que trocar nossas placas pelas do Mercosul. Quais os argumentos para a nova placa? Basicamente três. O primeiro, é que os números das placas antigas estavam se esgotando e, em breve, não haveria mais conjugação de números possíveis.

O outro: o Brasil se adaptaria ao sistema do Mercosul. Mas havia um terceiro e mais importante: com mais tecnologia, não existiria mais o lacre, com a então implantação do QR Code. O policial, simplesmente com o número da placa, conseguiria puxar todos os dados do veículo.

Pois agora, Comissão do Senado aprovou proposta do senador Amin voltando no tempo e com mais uma absurda e desnecessária despesa para os proprietários de veículos: a volta das placas com os nomes do Estado e do município de origem.

Argumentos: a volta destas informações ajudaria as autoridades de trânsito e beneficiaria os motoristas. Mas tem mais: segundo a proposta, “a iniciativa também incentivará o significado cultural e identitário das placas, reforçando o senso de pertencimento à cada região”.

As afirmações de que não haveria mais números para compor as placas nos novos carros e a questão do Mercosul foi deixada de lado. Agora, a ideia é voltar ao passado, embora a proposta, aprovada em abril, ainda não tenha saído da comissão e ido para o plenário.

Caso tornada lei, será mais um castigo para os que têm carros no Brasil. Imagine-se cerca de 125 milhões de veículos tendo que comprar a placa nova e colocá-la em seus carros!

Tem cura um país que trata seus cidadãos deste jeito?

Por Sérgio Pires

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