Rondônia cria gabinete integrado com a Bolívia para reforçar combate a crimes na fronteira


Nova estrutura reunirá forças de segurança, órgãos de fiscalização e instituições brasileiras e bolivianas para ampliar inteligência e ações contra organizações criminosas

O Governo de Rondônia instituiu o Gabinete de Gestão Integrada de Fronteira Internacional (GGIF-I/RO), uma nova estrutura destinada a ampliar a integração entre órgãos brasileiros e bolivianos que atuam na região de fronteira. A medida foi estabelecida pelo Decreto nº 31.883, publicado no Diário Oficial do Estado (DIOF) desta terça-feira (11).

Vinculado à Secretaria de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania (Sesdec), o gabinete terá como uma de suas principais atribuições fortalecer o planejamento conjunto de ações de segurança, fiscalização, inteligência, prevenção e repressão aos crimes transfronteiriços.

A criação do GGIF-I/RO ocorre em um contexto em que a faixa de fronteira entre Rondônia e Bolívia é estratégica para o enfrentamento de atividades criminosas que ultrapassam os limites territoriais dos dois países.
 
Integração entre Brasil e Bolívia

O novo gabinete deverá reunir representantes de órgãos estaduais, federais e municipais, além de instituições bolivianas.

Entre os órgãos brasileiros que poderão participar estão as polícias Militar, Civil e Federal, Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal, Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ministério Público, Ibama, ICMBio, Idaron e Forças Armadas.

Do lado boliviano, poderão integrar as atividades representantes da Polícia Boliviana, Ministério Público, órgãos responsáveis pelo controle migratório e aduaneiro, defesa sanitária agropecuária e fiscalização ambiental.

A proposta é estabelecer um canal permanente de diálogo e troca de informações entre as instituições que atuam nos dois lados da fronteira.
 
Tráfico de drogas, armas e organizações criminosas no radar

Entre os crimes e situações que deverão ser acompanhados pelo GGIF-I/RO estão tráfico internacional de drogas e armas, tráfico de pessoas, contrabando e descaminho, crimes ambientais, garimpo ilegal, extração ilegal de madeira e pesca ilegal.

Também estão entre as preocupações biopirataria, abigeato, lavagem de capitais e a atuação de organizações criminosas.

A integração deverá permitir que informações produzidas por diferentes órgãos sejam compartilhadas e utilizadas no planejamento de operações e estratégias de prevenção.
 
Câmaras técnicas poderão atuar em áreas específicas

O decreto também prevê a criação de câmaras técnicas e grupos de trabalho destinados a tratar de assuntos específicos relacionados à região de fronteira.

Entre os temas previstos estão defesa sanitária agropecuária, controle de trânsito animal e vegetal, inteligência, controle migratório e resposta a situações de emergência.

A estrutura permite que diferentes instituições concentrem esforços em problemas específicos, evitando que cada órgão trabalhe de forma isolada.
 
Reuniões deverão ocorrer pelo menos duas vezes por ano

O GGIF-I/RO será coordenado pela Sesdec, por meio da Gerência de Integração de Segurança e Fronteira (GISF).

Conforme o decreto, o gabinete deverá realizar reuniões pelo menos uma vez a cada semestre, podendo os encontros ocorrer de forma presencial, virtual ou híbrida.

A participação das instituições bolivianas terá caráter colaborativo e consultivo. O decreto deixa claro que essa participação não implica transferência de competências ou atribuição de poder de decisão em território brasileiro.
 
Fronteira como área estratégica

Com a criação do gabinete, o Governo de Rondônia busca aproximar instituições que já atuam na região e estabelecer uma atuação mais coordenada diante de problemas que não se limitam às fronteiras nacionais.

A expectativa é que a troca de informações e o planejamento integrado contribuam para fortalecer o controle da fronteira, ampliar a capacidade de inteligência e melhorar a resposta das forças de segurança diante do avanço de crimes transnacionais.

A medida também cria uma estrutura permanente de diálogo com autoridades bolivianas, permitindo que questões relacionadas à segurança, fiscalização, meio ambiente, migração e defesa sanitária sejam tratadas de maneira conjunta entre os dois países.


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