
Moradores denunciam que estruturas instaladas pela Energisa estariam dificultando a passagem de pedestres e cadeirantes em todo o trecho da via
A Rua Capão da Canoa, no bairro Três Marias, em Porto Velho, passou por uma transformação que durante muito tempo foi cobrada pelos moradores. O que antes era marcado por lama, poeira, buracos e protestos deu lugar a uma via asfaltada, iluminada, sinalizada e com melhorias que facilitaram o acesso a diversos bairros da Zona Leste da capital.
A rua, que durante anos era evitada por motoristas devido às condições precárias, hoje se tornou uma das principais alternativas de entrada e saída para moradores de diferentes regiões da Zona Leste.
A estrutura implantada no local inclui asfalto, iluminação pública, sinalização, redutores de velocidade, semáforo, totem de segurança e transporte coletivo. Também foram executadas melhorias nas calçadas, incluindo áreas com acessibilidade para pedestres.
Mas, segundo moradores, uma nova situação passou a preocupar quem utiliza diariamente a via.
Postes foram instalados sobre calçadas
Após as obras de infraestrutura, moradores passaram a questionar a instalação de dezenas de postes em áreas de calçada ao longo da Rua Capão da Canoa.
Segundo relatos, as estruturas teriam sido instaladas pela Energisa como parte de intervenções relacionadas à melhoria do fornecimento de energia elétrica no município.
O problema apontado pelos moradores é que esses Postes estariam ocupando justamente o espaço destinado à circulação de pedestres.
Na prática, a situação pode obrigar pessoas a deixar a calçada e utilizar a pista de rolamento para conseguir seguir pelo trecho.
A preocupação é ainda maior em relação às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, principalmente cadeirantes, que podem encontrar dificuldades para utilizar o espaço destinado à acessibilidade.
“Tínhamos uma calçada para andar com segurança”, reclama cadeirante
Um morador que utiliza cadeira de rodas e precisa passar diariamente pela Capão da Canoa relatou a mudança na rotina.
Segundo ele, durante anos o principal problema era a falta de infraestrutura da rua. Agora, mesmo com a pavimentação e outras melhorias, surgiu uma nova dificuldade.
“Preciso passar pela Capão da Canoa todos os dias. O que me impedia antes era lama e buraco. Hoje temos asfalto e tínhamos calçadas para andar com segurança. Porém, mais uma vez vem a Energisa e tira isso de nós, me obrigando a transitar na rua, ao lado de carros, motos e até carretas que passam por aqui. E pergunto: a Prefeitura, nada vai fazer?”, relatou.
A reclamação resume a preocupação de moradores que comemoraram durante anos a chegada das obras e agora questionam se a instalação dos postes poderia comprometer a acessibilidade planejada para a via.
A situação relatada pelos moradores não estaria restrita à Rua Capão da Canoa.
Segundo os relatos, trechos da Avenida Guaporé também apresentam postes instalados em áreas destinadas à circulação de pedestres, provocando questionamentos sobre acessibilidade e utilização adequada das calçadas.
As duas vias possuem intenso movimento de veículos e pedestres, o que aumenta a preocupação dos moradores com a necessidade de garantir espaços seguros para circulação.
E quando o obstáculo está na calçada, quem fiscaliza?
A situação também levanta um questionamento sobre a fiscalização do espaço público.
Comerciantes e moradores que utilizam calçadas para colocar placas, mercadorias ou outros objetos que dificultem a passagem de pedestres podem ser alvo de fiscalização, receber notificação, multa e até ter materiais apreendidos, conforme as regras municipais aplicáveis.
Diante disso, moradores questionam como funciona a fiscalização quando o obstáculo é provocado pela instalação de estruturas de uma grande empresa de prestação de serviço público.
Quem fiscaliza? Quem autorizou a instalação? A empresa precisa adequar os postes para garantir a acessibilidade? E quem será responsável caso uma pessoa seja obrigada a utilizar a rua e sofra um acidente?
São perguntas que permanecem entre os moradores.
Moradores querem respostas da Prefeitura e da Energisa
A principal reivindicação da comunidade é que as autoridades responsáveis verifiquem os pontos onde os postes foram instalados e avaliem se a circulação de pedestres e pessoas com deficiência está sendo preservada.
A legislação brasileira estabelece a necessidade de garantir acessibilidade e condições adequadas de circulação nos espaços públicos. Por isso, moradores defendem que qualquer intervenção realizada em calçadas considere a passagem segura de pedestres, cadeirantes e demais pessoas com mobilidade reduzida.
A comunidade também espera esclarecimentos sobre quem autorizou a instalação das estruturas nos locais apontados e se existe algum projeto de adequação para garantir a passagem dos pedestres.
A Capão da Canoa passou de uma rua marcada por lama e buracos para uma das vias mais importantes da Zona Leste de Porto Velho. Agora, os moradores querem que as melhorias conquistadas não sejam comprometidas por novos obstáculos.
A reportagem deixa espaço para manifestação da Prefeitura de Porto Velho e da Energisa sobre as instalações, as autorizações existentes, os critérios utilizados para escolha dos locais dos postes e as medidas que poderão ser adotadas para garantir a acessibilidade nas calçadas.