Operação Polígrafo: MPRO denuncia 12 pessoas por fraude de R$ 2 milhões na compra de testes de Covid-19


Esquema teria envolvido ex-secretário adjunto de Saúde, servidores da Sesau e o então Cônsul Honorário da Índia; denúncia pede ressarcimento ao erário e perda de cargos públicos

O Ministério Público de Rondônia (MPRO) apresentou à Justiça, nesta terça-feira (9/12), denúncia contra 12 investigados acusados de integrar um esquema de fraude na aquisição de testes rápidos para detecção de Covid-19, durante o período mais crítico da pandemia.

A ação é resultado da Operação Polígrafo, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e cobra o ressarcimento de mais de R$ 2 milhões aos cofres públicos.

Entre os denunciados estão o então Secretário Adjunto de Estado de Saúde, o Gerente Administrativo da Secretaria de Estado de Saúde (Sesau/RO), representantes de duas empresas fornecedoras e o então Cônsul Honorário da Índia. Segundo o MPRO, o grupo teria atuado de maneira organizada para direcionar contratos, fraudar procedimentos e permitir a entrega de produtos irregulares.

As investigações apontaram que, entre março de 2020 e janeiro de 2021, o Estado adquiriu 100 mil testes rápidos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A compra ocorreu via Dispensa de Licitação no valor de R$ 10,5 milhões, montante que deveria ter sido utilizado integralmente no combate à pandemia em Rondônia.

De acordo com a denúncia, o esquema envolvia preterição de empresas habilitadas, favorecimento de fornecedores específicos, entrega de produtos fora das normas sanitárias e obtenção de vantagens financeiras. O MPRO afirma que houve superfaturamento e custos logísticos indevidamente assumidos pelo Estado, somando prejuízo superior a R$ 2,2 milhões.

Crimes atribuídos ao grupo

O Ministério Público denunciou os envolvidos por uma série de crimes:

Contra a Administração Pública

  • frustração do caráter competitivo de licitação;
  • fraude em contrato público, incluindo entrega de produtos com qualidade inferior;
  • tráfico de influência.

Contra a saúde pública

  • falsificação, corrupção e adulteração de produto terapêutico;
  • importação e entrega de testes sem registro sanitário.

Contra a fé pública

  • falsificação de documento particular;
  • uso de documento falso;
  • falsidade ideológica;
  • falso testemunho.

Além disso, todos respondem por associação criminosa e fraude processual.

Pedidos do MPRO à Justiça

O Ministério Público requereu:

  • condenação ao pagamento de indenização por dano moral coletivo e dano material;
  • ressarcimento integral do prejuízo ao erário, superior a R$ 2,2 milhões;
  • perda dos cargos públicos atualmente ocupados pelos denunciados;
  • manutenção do bloqueio de bens e valores já determinado judicialmente.

Com o oferecimento da denúncia, cabe ao Poder Judiciário decidir sobre seu recebimento. Se a acusação for acolhida, os denunciados serão citados para apresentar defesa, dando início à fase de instrução processual, com produção de provas e oitiva de testemunhas até o julgamento final.

A atuação do Gaeco reforça o compromisso do MPRO com a defesa dos recursos públicos destinados à saúde, especialmente em período de crise sanitária, quando o uso correto de cada recurso poderia representar vidas salvas.


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