Sambas elogiados e polêmica marcam último dia de desfiles do Grupo Especial na Sapucaí


Vila Isabel empolga especialistas, enquanto estreia de Virgínia Fonseca como rainha de bateria da Grande Rio gera controvérsia no Carnaval do Rio (foto © Getty)

O último dia de desfiles do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí, entre a noite de terça-feira (17) e a madrugada desta quarta-feira (18), foi marcado por sambas-enredo amplamente elogiados, apresentações impactantes e episódios de polêmica envolvendo a estreia da influenciadora Virgínia Fonseca como rainha de bateria da Acadêmicos do Grande Rio.

Um dos grandes momentos da noite foi protagonizado pela Unidos de Vila Isabel, que apresentou o enredo “Macumbembê, samborembá: sonhei que um sambista sonhou a África”, em homenagem ao compositor e artista plástico Heitor dos Prazeres.

Antes mesmo do primeiro setor avançar, o intérprete Tinga convocou o público a acender as luzes dos celulares. “Macumba tem que ter vela”, disse, criando um dos momentos mais comentados da noite. O samba-enredo de 2026 é apontado por especialistas como um dos melhores do Carnaval deste ano.

O desfile marcou a estreia dos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora na Vila Isabel, com uma estética inspirada nas telas do homenageado. Fantasias de ritmistas pintadas à mão, ainda com cheiro de tinta, reforçaram a proposta artística. O terceiro carro alegórico representou encontros históricos de sambistas do início do século 20, como a tradicional Festa da Penha.

À frente da bateria, Sabrina Sato desfilou com uma fantasia de cerca de 40 quilos, coberta por pedrarias e cristais. Com apresentação considerada impecável, a escola do bairro de Noel Rosa surge como forte candidata ao título.

A Acadêmicos do Grande Rio levou para a avenida o enredo “A nação do mangue”, com referências ao maracatu e ao manguebeat, movimento liderado por Chico Science. Apesar de um refrão de fácil assimilação, o samba não empolgou como o esperado.

O desfile ficou marcado pela estreia de Virgínia Fonseca como rainha de bateria, substituindo Paolla Oliveira, que ocupou o posto por sete anos. Cercada por cerca de 20 seguranças, a influenciadora protagonizou episódios de empurra-empurra com jornalistas e fãs, tanto na concentração quanto na dispersão.

Durante o desfile, Virgínia retirou o costeiro da fantasia, alegando dores, e enfrentou dificuldades com o ajuste do tapa-sexo, o que teria comprometido sua evolução. Em referência ao namorado, o jogador Vinícius Júnior, exibiu um número 7 cravejado de pedras em um dos dentes.

A escola também chamou atenção ao estampar a marca Wepink, pertencente à influenciadora, nos uniformes da equipe de força responsável pelos carros alegóricos.

Abrindo a programação, a Paraíso do Tuiuti apresentou um enredo inspirado na obra de Nei Lopes e no oráculo de Ifá, abordando o sincretismo religioso e as conexões culturais entre Cuba e Brasil. O samba foi conduzido por Pixulé, com bateria de mestre Marcão, e teve problemas pontuais de acabamento em alguns carros alegóricos.

Encerrando a noite, a Acadêmicos do Salgueiro prestou homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães, falecida em 2024. O desfile foi estruturado como uma biblioteca, com livros funcionando como portais para universos temáticos de sua trajetória.

Sob o comando do intérprete Igor Sorriso, o samba foi cantado em coro pela escola e pelo público. A rainha de bateria Viviane Araújo desfilou caracterizada como pirata e encerrou a apresentação subindo em um carro alegórico em formato de navio, com a imagem de Rosa Magalhães coroada no destaque final.

Apuração

A apuração das notas do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro acontece nesta quarta-feira (18), a partir das 15h, e definirá a escola campeã de 2026.

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