
Advogado pede proibição do uso do sobrenome em materiais de pré-campanha e cita decisão do TRE-RJ como precedente jurídico
Uma ação protocolada na Justiça Eleitoral de Rondônia questiona o uso do nome “Bolsonaro” pelo empresário e representante do agronegócio Bruno Scheid, pré-candidato ao Senado pelo Partido Liberal (PL) no estado.
O pedido foi apresentado pelo advogado Caetano Netto, que sustenta que a utilização do nome pode induzir o eleitorado ao erro e comprometer a lisura do processo eleitoral, especialmente por associar diretamente a imagem do pré-candidato ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A argumentação utiliza como base uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), tomada em agosto de 2022, quando a Corte proibiu dois candidatos bolsonaristas de utilizarem o nome “Bolsonaro” em seus registros eleitorais.
Na ocasião, o deputado federal Hélio Lopes, conhecido nacionalmente como Hélio Negão, e Max Guilherme, ex-assessor especial do ex-presidente, foram impedidos de usar a referência ao sobrenome Bolsonaro nas urnas e no registro de candidatura.
Hélio Lopes havia sido eleito em 2018 com cerca de 345 mil votos, utilizando o nome associado ao ex-presidente, mesmo sendo pouco conhecido politicamente naquele período.
Ação pede suspensão de pesquisas e materiais de campanha
Com base nesse precedente, a ação em Rondônia solicita a proibição do uso do nome Bolsonaro em materiais de pré-campanha, entrevistas e manifestações públicas, além da suspensão da divulgação de pesquisas eleitorais que utilizem a associação entre Bruno Scheid e o ex-presidente.
Segundo o advogado autor da representação, a prática poderia gerar vantagem indevida e influenciar a percepção do eleitor, especialmente em um cenário de forte identificação política com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Até o momento, o Partido Liberal (PL) não se manifestou oficialmente por meio de sua defesa jurídica sobre o caso, embora a ação já esteja sendo contestada nos autos.
Bruno Scheid diz que nome está registrado oficialmente
Em resposta à polêmica, Bruno Scheid afirmou que o uso do nome Bolsonaro não se trata de estratégia eleitoral improvisada, mas de um nome oficialmente registrado em cartório.
Segundo ele, a adoção do nome “Bruno Bolsonaro Scheid” ocorreu por orientação da própria família do ex-presidente Jair Bolsonaro, com quem mantém relação próxima.
Diante disso, o pré-candidato argumenta que não haveria irregularidade jurídica, já que se trata de seu nome civil formalmente reconhecido e não apenas de uma identificação eleitoral de campanha.
A decisão da Justiça Eleitoral de Rondônia poderá influenciar diretamente o posicionamento do PL no estado e o cenário da disputa pelo Senado em 2026, especialmente diante da força política que o nome Bolsonaro ainda representa junto ao eleitorado conservador de Rondônia.
Tags
Política